Economia

Dólar sobe e Ibovespa opera sob pressão com petróleo perto de US$ 100

Tarifaço de Trump contra o Brasil e escalada no Oriente Médio elevam a cautela dos investidores
Dólar sobe petróleo em alta com tensão no Estreito de Ormuz e tarifas de Trump pressionando o Ibovespa

O dólar abriu em alta nesta quinta-feira (23), avançando 0,41% e cotado a R$ 5,0718 por volta das 9h, enquanto o Ibovespa se prepara para abrir os negócios às 10h.

O movimento acompanha a escalada do conflito no Oriente Médio, que levou o petróleo de volta para perto de US$ 100 o barril, mesmo com tentativas de mediação do Omã envolvendo Arábia Saudita, grupos iemenitas e um enviado da ONU.

Também pesa sobre o câmbio o novo tarifaço dos Estados Unidos contra produtos brasileiros, somado à espera por uma taxa adicional que deve atingir dezenas de parceiros comerciais, incluindo o Brasil.

Tarifaço dos EUA aprofunda tensão com o Brasil

A tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros entrou em vigor na véspera, depois de o governo de Donald Trump concluir que o Brasil adota práticas que “oneram ou restringem” o comércio bilateral. O argumento foi rejeitado por Brasília, que vê na medida uma tentativa de interferência em temas internos considerados inegociáveis.

Para os próximos dias, o mercado aguarda uma nova alíquota, entre 10% e 12,5%, que deve atingir cerca de 60 parceiros comerciais dos EUA, incluindo o Brasil, sob a justificativa de que essas nações não coibiram o comércio de produtos fabricados com trabalho forçado.

Desmatamento vira alvo da disputa comercial

O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, voltou a citar o desmatamento no Brasil como fator de desvantagem para agricultores americanos. O ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, classificou o argumento como “absolutamente improcedente” e reforçou que as exportações brasileiras passam por fiscalização ambiental rigorosa.

Conflito no Oriente Médio mantém mercados em alerta

Na véspera, o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) completou a 12ª noite consecutiva de ataques contra alvos militares iranianos, atingindo depósitos de mísseis, sistemas de defesa aérea e pontos de vigilância costeira. Os EUA mantêm mais de 50 mil militares mobilizados na região e retomaram um bloqueio marítimo contra o Irã.

Em resposta, a Guarda Revolucionária iraniana afirmou ter destruído equipamentos militares americanos na Jordânia e atacado bases dos EUA no Kuwait. Os houthis do Iêmen, aliados de Teerã, disseram ter atingido dois petroleiros sauditas, ampliando o temor de um segundo bloqueio ao petróleo e o risco de fechamento do Estreito de Ormuz, rota que concentra 20% do comércio global da commodity.

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse que o custo para o Irã “ficará mais alto a cada noite” até que Teerã aceite um acordo de paz. A tensão já pressionava o câmbio em episódios recentes: dias antes, Trump já havia anunciado um bloqueio naval e uma taxa de 20% sobre cargas que cruzam o Estreito de Ormuz, movimento que antecipava a escalada atual, dando sequência ao colapso do cessar-fogo entre EUA e Irã no início do mês, quando petroleiros já haviam sido alvejados na mesma rota.

Nas bolsas internacionais, o dia era negativo na Europa, com o DAX alemão em queda de 0,69%, o CAC-40 francês recuando 1,19% e o FTSE 100 britânico perdendo 0,22%. Na Ásia, o cenário foi de alta: o Kospi sul-coreano saltou 4,40%, o Hang Seng subiu 1,28% e o Nikkei avançou 0,46%. Nos EUA, as ações da Alphabet recuavam no pré-mercado após a empresa elevar a projeção de investimentos, reacendendo o debate sobre os custos da expansão em inteligência artificial.