Economia

Trump aplica novas tarifas a 60 países e provoca reações no mundo

Europa comemora tarifa menor após multa ao Google, enquanto China e Filipinas protestam contra taxas de até 12,5%
Trump ao centro simboliza as novas tarifas dos EUA, com bandeira da China e mapa da Europa ao fundo

Os Estados Unidos passaram a aplicar, nesta sexta-feira (24), novas tarifas de importação a cerca de 60 países, substituindo a rodada temporária de fevereiro barrada pela Suprema Corte americana.

Enquanto a União Europeia comemorou ter recebido a alíquota mais baixa, de 10%, a China chamou a nova sobretaxa de 12,5% de medida unilateral. O Brasil, já tarifado em 25% na semana passada, passou a somar essa taxa adicional.

Europa respira aliviada após multa ao Google

O anúncio de Washington ocorreu poucas horas depois de a União Europeia decidir multar o Google em € 890 milhões por práticas anticompetitivas no setor digital, decisão que gerava temor de retaliação americana. Apesar disso, a Comissão Europeia comemorou a tarifa de 10% aplicada aos produtos do bloco, a mais baixa entre os parceiros comerciais dos EUA.

Segundo o porta-voz Olof Gill, o resultado é “consistente com os compromissos dos EUA” previstos no acordo comercial firmado com Bruxelas no ano passado, criando uma “dinâmica positiva” para discussões futuras sobre matérias-primas estratégicas e inteligência artificial.

Ásia protesta contra a nova rodada tarifária

Na Ásia, a China classificou os 12,5% de sobretaxa como medida que “não atende aos interesses de nenhuma das partes”. As Filipinas, também visadas pelo argumento de uso de trabalho forçado, disseram estar “muito preocupadas e surpresas” com a alíquota, considerada alta demais para manter a competitividade das indústrias locais.

Aliados dos Estados Unidos na região, Austrália, Japão e Nova Zelândia também criticaram as novas barreiras, chamando-as de injustificadas, decepcionantes e lamentáveis, respectivamente.

No caso brasileiro, a nova taxa de 12,5% se soma aos 25% já aplicados na semana passada, resultado de investigação do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) sobre falhas no combate à importação de itens ligados a trabalho forçado. A soma das duas tarifas pode elevar a sobretaxa total sobre produtos brasileiros a até 37,5%, cálculo que o Itamaraty já trata como parte de uma negociação apenas para “cumprir tabela”.

Entidades como a Amcham e a Câmara de Comércio dos EUA apontam que a nova tarifa deve atingir cerca de 3 mil produtos brasileiros, equivalentes a US$ 12,5 bilhões em exportações anuais. O governo Lula decidiu recorrer à Lei da Reciprocidade como forma de pressão, mas afirma que não vai abandonar a mesa de negociações com Washington.

Justificativa do trabalho forçado

O USTR, chefiado por Jamieson Greer, abriu em março uma investigação para verificar se os parceiros comerciais dos EUA eliminaram de suas cadeias produtos feitos com mão de obra forçada. “Buscamos acabar com o comércio desse tipo de produto”, disse Greer à CNN, argumentando que a prática cria concorrência desleal.

Para evitar nova derrubada judicial, o USTR baseou a medida na mesma legislação usada em tarifas setoriais de aço, alumínio, cobre, madeira e automóveis, que não foram anuladas pela Suprema Corte — estratégia que, segundo especialistas, preserva o poder de barganha dos EUA em futuras negociações.

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