O dólar abriu a sessão desta sexta-feira (24) em queda de 0,14%, cotado a R$ 5,0769 por volta das 9h, enquanto investidores reagiam ao novo tarifaço dos Estados Unidos contra o Brasil e outros 59 parceiros comerciais.
A alíquota adicional, entre 10% e 12,5%, entrou em vigor à 0h01 (horário de Washington) com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana, que alega práticas desleais ligadas a trabalho forçado.
O mercado também monitora a escalada no Oriente Médio, após novos ataques a petroleiros no Mar Vermelho e temores sobre o fechamento do Estreito de Ormuz.
Novo tarifaço dos EUA mira 60 parceiros comerciais
O governo americano anunciou nesta quinta-feira (23) uma tarifa adicional sobre importações de cerca de 60 países, incluindo o Brasil, com alíquotas entre 10% e 12,5%. A medida foi justificada por uma investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, que aponta a ausência de fiscalização adequada contra a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.
Em comunicado, o governo dos EUA afirmou que a ação “começará a corrigir o que é, ao mesmo tempo, um abuso dos direitos humanos e uma prática comercial distorcida, contribuindo para melhorar o bem-estar dos trabalhadores em todo o mundo”.
O ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, já havia classificado os argumentos americanos como “absolutamente improcedentes” e “inverídicos”, reforçando que o Brasil aplica um sistema rigoroso de controle ambiental sobre suas exportações.
A nova tarifa se soma à taxa adicional de 25% sobre produtos brasileiros confirmada pelos EUA na semana anterior, decisão que levou o governo a liberar uma linha de financiamento de R$ 15 bilhões para os setores afetados pela disputa comercial.
Escalada no Oriente Médio pressiona mercado de petróleo
Fora da pauta comercial, o mercado também acompanha o agravamento do conflito no Oriente Médio. As Forças Armadas dos EUA atacaram o Irã pela 13ª noite seguida na quinta-feira (23), com explosões relatadas em Ahvaz, Bandar Abbas e Qeshm. Trump afirmou que considera retomar grandes operações de combate contra o país.
Aliados houthis do Irã no Iêmen alegaram ter atacado dois petroleiros sauditas como parte de um bloqueio naval à Arábia Saudita, criando um novo ponto de estrangulamento no fornecimento global de petróleo. A ameaça se soma ao temor de fechamento do Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% de todo o comércio mundial de petróleo. O temor com um novo estrangulamento no fornecimento não é inédito: dias antes, Trump já havia anunciado um bloqueio naval ao Irã no estreito e uma taxa de 20% sobre toda carga que cruzasse o canal.
Na temporada de balanços, as ações da Alphabet caíram mais de 7% na véspera após a empresa elevar sua projeção de investimentos em inteligência artificial, reacendendo preocupações com o custo da expansão do setor.
As bolsas europeias operavam em alta por volta das 9h15: o DAX alemão subia 0,68%, o CAC-40 francês avançava 0,30% e o FTSE 100 britânico tinha alta de 0,21%. Na Ásia, o cenário foi de perdas generalizadas, com o Kospi sul-coreano recuando 5,72%, o Nikkei japonês caindo 2,73%, o CSI 300 chinês perdendo 1,67% e o Hang Seng de Hong Kong cedendo 0,98%.
