Negócios

Amcham vê risco comercial se EUA aplicarem tarifa de 25% ao Brasil

Entidade pede solução diplomática após USTR publicar relatório de 107 páginas que mira práticas brasileiras em seis áreas
Trump e Lula em conflito comercial sobre tarifas 25% aos produtos brasileiros nos EUA

A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham) alertou que a imposição de tarifas de 25% pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros pode elevar custos, reduzir competitividade e criar obstáculos ao comércio e aos investimentos bilaterais.

O alerta foi emitido após o Representante de Comércio dos EUA (USTR) publicar, na segunda-feira (1), as conclusões de uma investigação que aponta práticas brasileiras consideradas “irrazoáveis” em seis áreas — do Pix à propriedade intelectual.

O que o relatório acusa

O documento de 107 páginas avalia práticas brasileiras relacionadas a comércio digital, meios de pagamento eletrônico, propriedade intelectual, combate à corrupção e acesso a mercados, concluindo que todas afetam negativamente interesses comerciais americanos.

O Pix é alvo explícito. O USTR afirma que o Brasil “prejudicou injustamente” empresas americanas do setor ao adotar “políticas que favorecem seu campeão nacional”. Como resposta, a recomendação é aplicar 25% de tarifa sobre todos os produtos brasileiros, com exceções previstas em anexo.

O relatório é fruto de uma investigação de quase um ano: o USTR concluiu o processo apontando práticas “irrazoáveis” em seis áreas distintas, com isenções pontuais para setores estratégicos de ambos os países.

Exceções que limitam o dano imediato

As tarifas não são totais: ficam de fora produtos que poderiam gerar inflação nos EUA, itens não produzíveis em território americano e mercadorias — como café e aeronaves — cuja tributação não contribuiria para corrigir as práticas investigadas.

O economista Guilherme Klein Martins, professor da Universidade de Leeds (Reino Unido), avalia que essa lista de exceções limita o impacto imediato. “Setores de manufatura de média complexidade, que ainda exportam para os EUA, podem ser mais afetados por não estarem contemplados nessas exceções”, pondera.

Segunda investigação e pressão crescente

A Amcham também alerta para uma segunda frente: nas próximas semanas, os EUA devem divulgar os resultados de outra investigação da Seção 301 sobre importações de produtos feitos com trabalho forçado, podendo afetar até 60 países, incluindo o Brasil.

A pressão pode aumentar: Jamieson Greer, o representante comercial americano, prometeu divulgar em breve os resultados de outras investigações da Seção 301 — exatamente o cenário que a Amcham teme ao pedir solução negociada antes que as medidas sejam implementadas.

Incerteza, eleições e paralisia de investimentos

Klein Martins ressalta que a decisão americana coincide com a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos EUA — acúmulo de tensões em múltiplas frentes que pode levar empresas a segurar investimentos enquanto aguardam os desdobramentos.

O Pix já estava na mira americana meses antes do relatório: Lula levou a defesa do sistema de pagamentos como pauta prioritária ao primeiro encontro com Trump em Washington, sem obter garantias de recuo do lado americano.

Como o relatório ainda passará por consulta pública e não foi implementado, o economista lembra que “a permanência dessas medidas dependerá do que for efetivamente aplicado e de como o cenário político brasileiro evoluirá após as eleições, momento em que tudo pode ser revisto”.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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