Negociadores da União Europeia se reúnem nesta terça-feira (19) em rodada considerada decisiva para fechar o texto legal que implementa o acordo comercial firmado com os Estados Unidos.
O objetivo é evitar que Donald Trump eleve as tarifas sobre produtos europeus além dos 15% já acordados — com prazo estabelecido pelo presidente americano para 4 de julho.
Parlamentares envolvidos nas negociações esperam um desfecho até o fim do dia ou nas primeiras horas de quarta-feira.
O pacto de Turnberry
O entendimento que está em jogo foi fechado em julho do ano passado no resort de golfe de Trump em Turnberry, na Escócia. Pelo acordo, a União Europeia se comprometeu a zerar as tarifas sobre produtos industriais americanos e a abrir seu mercado a itens agrícolas e do setor pesqueiro dos EUA.
Em contrapartida, os Estados Unidos passariam a cobrar uma tarifa de 15% sobre a maior parte das mercadorias europeias — bem abaixo das taxas que Trump ameaça impor caso o acordo não avance.
Quase dez meses depois da assinatura, porém, o texto ainda aguarda aprovação formal do Parlamento Europeu e do Conselho da União Europeia, órgão que representa os governos do bloco.
O ponto de impasse
A principal divergência entre parlamentares e o Conselho é a inclusão de mecanismos de proteção caso Trump decida abandonar o compromisso unilateralmente — uma preocupação que ganhou força diante do histórico de recuos do presidente americano em acordos internacionais.
Trump já declarou que pode elevar as tarifas sobre automóveis europeus de 15% para 25% caso a UE não cumpra sua parte até 4 de julho.
Tramitação interrompida duas vezes
O caminho até essa rodada decisiva não foi simples. A tramitação do texto legal foi suspensa em duas ocasiões distintas desde que o acordo foi fechado em Turnberry.
A primeira interrupção ocorreu após Trump ameaçar sobretaxar países aliados que não apoiassem sua proposta de aquisição da Groenlândia. A segunda foi motivada pela decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, que anulou as tarifas globais impostas pelo presidente americano.
Esse capítulo, porém, ainda não havia terminado: um tribunal de apelações reverteu a decisão e manteve as tarifas globais de 10% em vigor, recolocando pressão sobre os parceiros comerciais dos EUA.
O impasse sobre os mecanismos de proteção reflete um temor concreto entre os legisladores europeus: que Trump abandone o acordo depois de obtidas as concessões tarifárias do bloco, sem que a UE disponha de instrumentos formais de resposta.
