O Parlamento Europeu aprovou nesta terça-feira (16) a redução de tarifas de importação sobre produtos americanos, cumprindo sua parte em um acordo comercial com os EUA firmado há quase um ano.
A decisão ocorre sob pressão direta de Trump, que ameaçou impor tarifas “muito mais altas” caso o bloco europeu não adotasse as medidas até 4 de julho — prazo que acelerou o processo dentro do Parlamento.
O que o acordo prevê
Pelo entendimento firmado, a União Europeia concordou em eliminar as tarifas sobre produtos industriais americanos e conceder acesso preferencial a bens agrícolas dos EUA no mercado europeu.
Em contrapartida, os Estados Unidos mantiveram uma alíquota de 15% sobre a maior parte dos produtos europeus, preservando barreiras tarifárias que o bloco abriu mão de aplicar sobre os bens americanos.
Um acordo nascido em campo de golfe
O pacto foi assinado há 11 meses durante um encontro realizado em Turnberry, campo de golfe pertencente a Trump, na Escócia. A demora do Parlamento Europeu em ratificar o texto gerou tensão crescente com Washington.
Diante da lentidão europeia, Trump anunciou que imporia tarifas ainda mais elevadas caso o bloco não aprovasse as medidas até 4 de julho — data que funcionou como ultimato formal ao processo de ratificação.
Uma tramitação suspensa duas vezes
Há menos de um mês, negociadores europeus ainda travavam impasse sobre mecanismos de proteção caso Trump abandonasse o acordo unilateralmente — a aprovação desta terça encerra uma tramitação que chegou a ser suspensa duas vezes desde a assinatura em Turnberry.
O desfecho evidencia a assimetria do pacto: enquanto a União Europeia zerou tarifas sobre produtos industriais americanos e abriu o mercado agrícola, Washington manteve uma barreira de 15% sobre os bens europeus — concessões que não encontram equivalência do lado americano.
A ameaça de novas tarifas com prazo fixado em 4 de julho serviu como catalisador final para que os parlamentares europeus dessem o aval ao acordo, encerrando meses de impasse interno no bloco.
