Donald Trump anunciou neste sábado (12) tarifas de 30% sobre importações do México e da União Europeia, justificando a medida em cartas enviadas aos líderes dos dois blocos. O ex-presidente americano atribuiu a decisão ao combate ao narcotráfico e ao déficit comercial dos EUA. As tarifas passam a valer a partir de 1º de agosto de 2025.
Trump também afirmou que eventuais aumentos de tarifas por parte do México ou da UE serão somados aos 30% já anunciados. As cartas detalham condições para revisão das tarifas e sugerem abertura para negociações futuras.
Justificativas de Trump para novas tarifas
Nas cartas enviadas à presidente do México, Claudia Sheinbaum, e à presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, Trump explicou as razões para as tarifas. Ao México, ele atribuiu a medida à “falha em deter os cartéis” e ao fluxo de drogas, afirmando que o país não conseguiu impedir que a América do Norte se torne um “playground do narcotráfico”. Já para a União Europeia, Trump destacou o “maior déficit comercial” dos EUA com o bloco, apontando políticas tarifárias e barreiras comerciais como causas do desequilíbrio.
Trump ressaltou que as tarifas de 30% incidirão sobre todos os produtos enviados aos EUA, separadamente de outras tarifas setoriais, e que produtos transbordados para evitar a taxação também serão atingidos. O ex-presidente afirmou que não haverá tarifa caso empresas mexicanas ou europeias optem por fabricar produtos nos Estados Unidos, prometendo agilidade na aprovação dessas solicitações.
Reações e contexto político
O anúncio gerou reações no Brasil. O ex-embaixador Roberto Abdenur defendeu resposta firme do país. O senador Flávio Bolsonaro afirmou que a tarifa tem “viés político”. O presidente Lula declarou que o Brasil deve aplicar reciprocidade em caso de taxação, dizendo: “Taxou aqui, a gente taxa lá”. Trump também defendeu Jair Bolsonaro, alegando tratamento injusto por parte do governo Lula.
Conteúdo das cartas enviadas por Trump
Carta à presidente do México, Claudia Sheinbaum
Trump afirmou que, apesar do relacionamento comercial forte, o México não fez o suficiente para conter os cartéis de drogas e o fluxo de fentanil. Segundo ele, a partir de 1º de agosto de 2025, será cobrada tarifa de 30% sobre produtos mexicanos, com possibilidade de ajuste conforme o relacionamento bilateral. Trump condicionou a revisão das tarifas à abertura do mercado mexicano e eliminação de barreiras comerciais.
Carta à presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen
Na carta à UE, Trump destacou o déficit comercial persistente e políticas não recíprocas. Ele anunciou a mesma tarifa de 30% para produtos europeus e afirmou que a medida poderá ser revista se houver abertura do mercado europeu aos EUA. Trump também alertou que eventuais retaliações serão somadas à tarifa já anunciada.
Ambas as cartas enfatizam que o déficit comercial representa ameaça à economia e à segurança nacional dos EUA. Trump finalizou ressaltando o desejo de manter parcerias comerciais, mas condicionando a redução das tarifas a mudanças nas políticas dos países afetados.