Líderes internacionais e representantes da indústria reagiram neste sábado (12) à decisão do presidente Donald Trump de impor uma nova tarifa de 30% sobre produtos da União Europeia e México. A medida, prevista para entrar em vigor em 1º de agosto, foi classificada como preocupante e provocou promessas de resposta firme dos países afetados.
Comissão Europeia, Conselho Europeu, Itália, Holanda, Suécia, Irlanda, Espanha e México se manifestaram oficialmente. Associações industriais e economistas também alertaram para os riscos de escalada comercial e impactos econômicos negativos.
Reações da União Europeia e países membros
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o bloco está preparado para tomar todas as medidas necessárias para proteger seus interesses e seguirá negociando até 1º de agosto. O presidente do Conselho Europeu, Antonio Costa, declarou que a UE permanece unida e pronta para adotar contramedidas proporcionais, se necessário. Segundo Costa, “tarifas são impostos que alimentam a inflação, criam incerteza e prejudicam o crescimento econômico”.
O gabinete da primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, reiterou apoio aos esforços da Comissão Europeia e destacou a importância de manter o foco nas negociações. O primeiro-ministro holandês, Dick Schoof, classificou a tarifa como preocupante e reforçou o compromisso de unidade europeia em busca de uma solução benéfica para ambos os lados.
Da Suécia, Ulf Kristersson lamentou a decisão dos EUA e afirmou que a UE está pronta para contramedidas severas, mas alertou que todos perdem em uma guerra comercial, especialmente os consumidores americanos. O irlandês Simon Harris considerou a medida “profundamente lamentável” e defendeu a busca por uma solução justa. Já Pedro Sanchez, da Espanha, disse que tarifas injustificadas destroem prosperidade e que a força do bloco europeu deve ser usada para um acordo justo.
México e associações industriais
O Ministério da Economia do México informou que negocia alternativas com os EUA para proteger empresas e trabalhadores antes do início da tarifa. A associação industrial alemã BDI pediu negociações urgentes para evitar escalada e a VDA, do setor automobilístico, alertou para custos crescentes que já somam bilhões.
Impactos econômicos e análises
O economista-chefe do Instituto de Assuntos Internacionais e Europeus, Dan O’Brien, avaliou que uma tarifa de 30% sobre produtos da UE teria efeito significativo de destruição comercial e que a ameaça de retaliação americana amplia o risco de um conflito econômico mais amplo entre UE e EUA.
O Banco Comercial de Hamburgo considerou a notícia negativa para a UE e um grande fardo para a indústria exportadora, já que os EUA são o principal destino fora do bloco. O economista-chefe Cyrus de la Rubia defendeu uma linha dura nas negociações, pois as tarifas podem prejudicar mais os EUA do que a zona do euro, embora o impacto econômico só seja sentido após certo atraso.
Posição do Brasil e histórico de relações
O ex-embaixador Roberto Abdenur defendeu que o Brasil responda com firmeza à medida americana. O presidente Lula afirmou que qualquer elevação unilateral de tarifas será respondida conforme a Lei de Reciprocidade Econômica. O texto também relembra que, nos anos 1990, Bolsonaro, então deputado, acusava os EUA de se infiltrarem na Amazônia e fazerem alianças separatistas, apesar de hoje criticar Lula por ser “antiamericano”.