Trump chamou a Espanha de “péssima parceira” da OTAN e ordenou ao secretário do Tesouro, Scott Bessent, que suspendesse as relações comerciais com o país.
A declaração foi feita nesta quarta-feira (8) em Ancara, na Turquia, durante coletiva em que o presidente criticou aliados da Aliança Atlântica por não apoiarem a guerra contra o Irã.
A União Europeia respondeu com uma cobrança direta: o porta-voz da Comissão Europeia, Olof Gill, exigiu que os Estados Unidos honrem o acordo comercial assinado entre as duas partes no ano passado.
A declaração que Trump agora ignora
“Lembro que assinamos uma declaração conjunta com os Estados Unidos no ano passado. Esperamos que os EUA cumpram os compromissos assumidos nessa declaração, assim como nós cumprimos os nossos”, disse Gill.
O pacto mencionado pelo porta-voz é o mesmo que o Parlamento Europeu aprovou em junho sob ultimato de Trump, com concessões assimétricas: enquanto a UE zerou tarifas industriais, Washington manteve alíquota de 15% sobre produtos europeus.
Apesar do desequilíbrio, Bruxelas sinalizou que quer preservar o acordo. “A Comissão sempre garantirá que os interesses da União Europeia e de todos os seus Estados-membros sejam plenamente protegidos. Continuaremos defendendo um comércio transatlântico estável, previsível e mutuamente benéfico para todos”, acrescentou Gill.
Irã na raiz da crise com a OTAN
As declarações sobre a Espanha vieram na mesma coletiva em que Trump anunciou o fim do acordo com o Irã — o que explica a pressão crescente sobre os aliados da Aliança Atlântica. O presidente americano passou a exigir que os parceiros se posicionem abertamente a favor da guerra contra Teerã, e a Espanha teria ficado aquém das expectativas de Washington.
A ameaça de suspender relações comerciais com um membro da UE é inédita e coloca Bruxelas em posição delicada: ceder individualmente à pressão sobre a Espanha poderia abrir precedente para novas represálias a outros países do bloco. Por isso, a resposta da Comissão foi coletiva — deixando claro que qualquer ataque a um Estado-membro será tratado como ataque ao bloco inteiro.
Scott Bessent, o secretário do Tesouro designado por Trump para executar a medida, ainda não se pronunciou publicamente sobre os próximos passos.
