O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou nesta sexta-feira (26) impor uma tarifa de 100% sobre todos os produtos de qualquer país que cobre impostos sobre serviços digitais de empresas americanas.
A declaração foi feita no Truth Social e tem como alvo principal países europeus — com destaque para a França, que já aplica desde 2019 uma alíquota de 3% sobre receitas de gigantes da tecnologia americana.
Na publicação, Trump foi direto: “qualquer país que imponha tal imposto será imediatamente alvo de uma tarifa de 100%”, escreveu. O presidente acrescentou que a medida se sobreporá a quaisquer acordos comerciais existentes com o país-alvo — assinados ou não, implementados ou não.
A ameaça ganha contorno mais nítido diante da movimentação europeia. Segundo Trump, “diversos países europeus vêm discutindo a implementação iminente” do imposto digital, e alguns “estão perto de realmente fazer isso”.
França no centro da disputa
A França é o caso mais avançado. Desde 2019, o país aplica uma alíquota de 3% sobre a receita gerada por serviços digitais de empresas que faturam mais de 25 milhões de euros no território francês e mais de 750 milhões de euros globalmente — regra que enquadra diretamente as grandes big techs americanas.
O presidente Emmanuel Macron descartou recuar. Na semana passada, ele afirmou publicamente que não cederia à pressão de Washington nem revogaria a taxação sobre serviços digitais.
A ofensiva desta sexta não é novidade no repertório de Trump. Há menos de duas semanas, Trump já havia ameaçado tarifas de 100% sobre vinhos franceses caso a França mantivesse o imposto digital — pressão que Macron rejeitou publicamente antes da cúpula do G7.
O padrão se repete: ameaça específica sobre produto de alto valor simbólico, seguida de confronto do país-alvo. Desta vez, porém, o escopo é mais amplo. Trump não mira só a França, mas qualquer nação que avance na tributação de serviços digitais — o que pode incluir outros membros da União Europeia que estudam legislações similares.
O impasse entre Washington e os governos europeus sobre a tributação de big techs já arrasta anos sem solução. Empresas como Google, Meta e Amazon operam em mercados europeus com estruturas fiscais que, na avaliação de vários países do continente, não refletem a riqueza gerada nesses territórios.
