Política

Em artigo, Dino defende monocráticas e contraria indicado de Lula ao STF

Ministro usa dados de produtividade do Supremo para rebater acusações de excesso de poder individual
Flávio Dino defende decisões monocráticas no STF em composição com fachada institucional

O ministro do STF Flávio Dino publicou nesta segunda-feira (11) um artigo na revista Carta Capital em defesa das decisões monocráticas, classificando o modelo como uma imposição legal para evitar a paralisia do tribunal.

No texto, intitulado “O Poder Individual no Supremo Tribunal Federal”, o magistrado argumenta que revogar as monocráticas levaria a um colapso operacional: o STF julga em média 2.368 processos por mês nos colegiados — mais de 500 decisões coletivas por semana.

Argumento e dados

Dino sustenta que as decisões monocráticas não refletem a vontade pessoal do relator, mas entendimentos já consolidados pelo colegiado. Segundo ele, se as leis que permitem decisões individuais fossem revogadas, o volume de processos para julgamento coletivo aumentaria dezenas de vezes — algo inviável pelos limites de tempo e pela obrigação constitucional de motivar cada decisão.

Com dados de 2025, o ministro reforça que a maioria das monocráticas espelha jurisprudência já assentada no tribunal. Dino também rebate a tese de que ministros decidiriam sozinhos em busca de visibilidade: segundo ele, as entrevistas sobre o mérito de ações judiciais são hoje “próximas de zero”.

O ministro atribui a expansão do papel do STF à ampliação do controle de constitucionalidade pela Constituição de 1988 e às crises decisórias nos outros Poderes — não a uma escolha da Corte por protagonismo.

O argumento de Dino vai na contramão do que defendeu, há menos de duas semanas, o próprio indicado do governo Lula ao STF: em sua sabatina, Jorge Messias declarou que restringir as monocráticas é “extremamente importante” para preservar o tribunal de “estigmas de arbítrio”. Saiba mais sobre a posição de Messias na sabatina.

No mesmo artigo, Dino defende que a convivência social com advogados, políticos e jornalistas é saudável e não implica parcialidade. Para o ministro, atos de improbidade ocorrem “longe dos olhos e ouvidos do público” — e não nas interações cotidianas da vida institucional.

O ministro faz questão de separar o debate sobre as monocráticas da discussão sobre a reforma estrutural do Judiciário. A proposta, apresentada formalmente por Dino em abril com 15 eixos, prevê punições mais duras a magistrados corruptos e revisão das competências do STF — temas que, na visão do ministro, não se confundem com a questão do poder individual.

Dino aponta que a reforma é necessária para corrigir “anomalias” do sistema, mas adverte que um diagnóstico equivocado sobre o funcionamento do tribunal pode levar a “terapias ineficazes ou desastrosas”.

A publicação ocorre sob pressão crescente sobre o Supremo, com propostas legislativas em tramitação para limitar as monocráticas e críticas políticas à atuação individual dos ministros — contexto que transforma o artigo em uma resposta pública direta à ofensiva contra a Corte.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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