O pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) atacou nesta segunda-feira (22) as decisões monocráticas de ministros do Supremo Tribunal Federal, afirmando que a atuação do tribunal gera insegurança jurídica e afasta investimentos do país.
A declaração foi feita durante evento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) em que três pré-candidatos presidenciais apresentaram suas propostas ao setor industrial. Além de Flávio, participaram Romeu Zema (NOVO-MG) e Ronaldo Caiado (PSD-GO).
O alvo mais direto da crítica foi o ministro Alexandre de Moraes. Flávio citou decisão do ministro que, em 2025, restabeleceu quase integralmente o decreto do presidente Lula que elevou as alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) — mesmo após o Congresso Nacional ter aprovado, com ampla maioria, dois projetos para derrubar a medida.
Para o senador, episódios como esse ilustram a imprevisibilidade do Judiciário. “O STF parece uma delegacia de polícia”, afirmou Flávio, ao criticar a amplitude com que o tribunal intervém em diferentes matérias.
Decisões divergentes em eleições estaduais
Flávio também questionou a coerência das decisões do Supremo em casos eleitorais. Segundo ele, situações equivalentes nos estados do Rio de Janeiro e de Roraima receberam tratamentos distintos de ministros diferentes — evidência, na avaliação do pré-candidato, de falta de uniformidade na jurisprudência do tribunal.
A crítica ao ministro não é inédita: semanas antes, Flávio já havia tentado afastar Moraes de outro processo no STF, pedindo sua suspeição no caso Master sob alegação de conflito de interesse.
Além das críticas ao Judiciário, Flávio Bolsonaro aproveitou o evento para esboçar diretrizes de política externa. Ele afirmou que pretende adotar postura “pragmática nas relações internacionais” e que vai tratar a China de forma “respeitosa” — diferença declarada em relação à postura adotada pelo governo de seu pai, Jair Bolsonaro.
O evento da CNI marcou um dos primeiros momentos em que Flávio dividiu palco com outros pré-candidatos na corrida presidencial de 2026. Romeu Zema e Ronaldo Caiado também apresentaram suas propostas à entidade industrial no mesmo dia.
Posicionamento para 2026
As declarações reforçam o perfil que Flávio vem construindo para a disputa presidencial: o de candidato oposicionista que questiona tanto o governo Lula quanto a atuação do STF. O argumento da insegurança jurídica como obstáculo ao investimento tem potencial de adesão junto ao empresariado — público central no evento da CNI.