Política

STF vira tema de campanha e presidenciáveis propõem reformar a Corte

Mandatos fixos, fim de decisões individuais e nova forma de escolha dos ministros dividem os pré-candidatos em 2026
Fachada do STF ao entardecer e retrato oficial de Lula simbolizando reforma do STF eleições 2026

Pela primeira vez em escala inédita, o Supremo Tribunal Federal virou pauta central da disputa presidencial brasileira. Em 2026, pré-candidatos ao Planalto competem para apresentar a reforma mais profunda da Corte — e as propostas vão de mandatos fixos ao impeachment de ministros.

O movimento tem raiz no protagonismo crescente do STF em temas políticos que, ao longo das últimas décadas, migraram do Congresso para o Judiciário. Ao julgar questões que o Legislativo deixou em aberto, a Corte acumulou poder — e críticas.

O que propõem os candidatos

O presidente Lula (PT) sinalizou abertura para debater mandatos para os ministros. “Não é justo uma pessoa entrar com 35 anos e ficar até 75”, disse em fevereiro. A ideia já estava no programa de Fernando Haddad em 2018 — a primeira eleição em que o STF apareceu como tema direto de proposta presidencial, segundo levantamento em 51 candidaturas desde 2014.

Flávio Bolsonaro (PL-RJ) vai além: defende mandatos fixos, fim de decisões monocráticas que suspendam leis aprovadas pelo Congresso e impeachment de ministros — mecanismo nunca aplicado no Brasil, que exige 54 votos no Senado.

Ronaldo Caiado (PSD) propõe mandato de dez anos, idade mínima de 60 anos e lista tríplice elaborada por órgãos do Judiciário. Romeu Zema (Novo) defende 15 anos de mandato, mesma idade mínima, lista tríplice com participação de STJ, CNJ, OAB e Ministério Público, além de retirar do STF temas criminais e tributários, transferindo-os ao STJ.

Augusto Cury (Avante) propõe fim da vitaliciedade, mandatos de oito a dez anos e nenhum ministro indicado pelo presidente da República. Renan Santos (Missão) defende criar um “Supremo Tribunal Político” para julgar parlamentares, separando esse papel da Corte atual.

A proposta não surgiu do vácuo eleitoral: em abril, o próprio ministro Flávio Dino havia apresentado uma reforma em 15 eixos — incluindo revisão das competências do STF e punições mais duras a magistrados — iniciativa que antecipou o debate que agora domina os palanques.

Reforma com raízes mais antigas

O debate sobre o tempo de permanência dos ministros já circulava pelo Senado antes de virar pauta de campanha. Em abril, o senador Espiridião Amin alertou que indicar ministros jovens permite permanência de até 30 anos na Corte — exatamente o tipo de situação que os pré-candidatos agora prometem corrigir com mandatos fixos.

A pressão pela reforma tampouco partiu apenas dos palanques. A OAB formou uma comissão com mandato específico para articular mudanças no Judiciário, colocando mandatos fixos e restrição a decisões individuais no centro da pauta — as mesmas bandeiras que os presidenciáveis agora disputam nas urnas.

Dentro da própria Corte, o presidente Edson Fachin defende a criação de um código de ética para guiar a atuação dos ministros. Os especialistas consultados avaliam que o protagonismo do STF expôs a Corte a críticas e aumentou a pressão por mudanças em seu funcionamento.

Para o cientista político Fernando Schüler (Insper), a presença do STF no debate eleitoral é resultado direto da forte judicialização da política. Mas o peso do tema nas urnas tem limites: economia e segurança devem continuar definindo mais votos do que a reforma do Judiciário. O cientista político Elias Tavares avalia que o assunto deve aparecer com mais força nas disputas para o Senado do que na corrida presidencial.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
Leia mais

China aceita pagar mais por carne bovina sem desmatamento da Amazônia

Grupo de trabalho Brasil-EUA sobre tarifas inicia tratativas após cúpula Lula-Trump

Guerra no Oriente Médio eleva preços globais de alimentos ao maior nível em três anos

OMS prevê mais casos de hantavírus e descarta início de pandemia