Pela nona semana consecutiva, o mercado financeiro elevou sua projeção para o IPCA de 2026. A estimativa agora é de 4,91%, conforme o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (11) pelo Banco Central.
O motor das revisões é o conflito no Oriente Médio, que mantém o barril de petróleo acima de US$ 100 — e, com ele, a ameaça de reajuste nos combustíveis e nos preços ao consumidor.
Apesar do cenário de inflação em alta, o mercado segue apostando em queda dos juros.
A pesquisa semanal do Banco Central ouviu mais de 100 instituições financeiras e aponta que o movimento de revisão para cima ainda não deu sinais de esgotamento. Em meados de abril, a projeção estava em 4,71% — já acima do teto da meta —, e quatro semanas depois chegou a 4,91%, mantendo a tendência de deterioração das expectativas.
O principal vetor de pressão é o petróleo. A guerra no Oriente Médio empurrou as cotações para acima de US$ 100 o barril, e o Banco Mundial alertou, no fim de abril, que os preços de energia devem subir 24% em 2026 como consequência direta do conflito. Para o Brasil, o efeito chega principalmente pelos combustíveis — cujos reajustes contaminam fretes e produção.
Juros e câmbio
Mesmo diante das revisões inflacionárias, o mercado não alterou sua aposta em corte de juros. A taxa Selic está em 14,50% ao ano — após dois cortes realizados neste ano —, e os analistas seguem projetando reduções nos próximos meses.
A estimativa para o câmbio foi revisada de R$ 5,25 para R$ 5,20 por dólar ao fim de 2026. Para 2027, a projeção permanece em R$ 5,30.
PIB e perspectivas para a economia
O crescimento econômico projetado para 2026 permanece em 1,85%, bem abaixo do resultado oficial de 2025: uma expansão de 2,3%, segundo o IBGE. Para 2027, a estimativa de PIB subiu ligeiramente, de 1,75% para 1,76%.
O cenário coloca o país em uma encruzilhada: de um lado, uma inflação que resiste às expectativas e segue acima do teto da meta; de outro, um crescimento que desacelera e um mercado que aposta em juros menores mesmo com esse pano de fundo.
Para quem recebe salários mais baixos, a persistência da inflação acima da meta tem impacto direto: os preços sobem, enquanto os rendimentos demoram a acompanhar — corroendo o poder de compra de milhões de famílias brasileiras.
