O mercado financeiro elevou, pela décima semana consecutiva em 2026, sua estimativa de inflação para o ano. O Boletim Focus, publicado nesta segunda-feira (18) pelo Banco Central, compilou projeções de mais de 100 instituições financeiras.
O motor da alta está fora do Brasil: a guerra no Oriente Médio fez disparar o petróleo para acima de US$ 110 o barril, pressionando combustíveis — e, em cascata, a inflação.
Com isso, economistas passaram a ver menos margem para o Banco Central cortar os juros. A Selic está em 14,50% ao ano após dois recuos já realizados em 2026.
Por que a inflação continua subindo nas projeções
O principal vetor de pressão sobre os preços no Brasil é externo. A guerra no Oriente Médio provocou um choque de oferta no mercado de petróleo, empurrando o barril para acima de US$ 110 — patamar que torna inevitável o repasse aos combustíveis domésticos e, em cadeia, aos demais preços.
O alerta já havia sido feito pelo Banco Mundial em abril: os preços de energia devem subir 24% em 2026 por causa do conflito, com o petróleo Brent podendo chegar a US$ 115 no pior cenário — o maior choque de oferta de petróleo da história recente.
Para a população de menor renda, o impacto é direto: com preços subindo mais rápido do que os salários, o poder de compra se deteriora. É justamente esse efeito que os analistas do Focus passaram a precificar com mais intensidade nas últimas dez semanas.
Juros, PIB e câmbio: o que o Focus também projeta
Mesmo com a revisão para cima da inflação, o mercado mantém a aposta em novos cortes da Selic. A taxa chegou a 14,50% ao ano após duas reduções já realizadas pelo Copom em 2026. O espaço, porém, ficou mais estreito.
Para o PIB, a estimativa para 2026 ficou estável em 1,85% — bem abaixo do resultado de 2025, quando a economia brasileira cresceu 2,3%, conforme dados do IBGE. Para 2027, a projeção subiu ligeiramente, de 1,76% para 1,77%.
O dólar deve fechar 2026 a R$ 5,20, segundo o mercado — projeção mantida nesta semana. Para 2027, a estimativa recuou de R$ 5,30 para R$ 5,27.
O espaço cada vez menor para novos cortes contrasta com o clima de cautela que já cercava a reunião de abril do Copom, quando o comitê reduziu a Selic para 14,50% ao ano mesmo diante de um ambiente externo turbulento — veja o que o Copom avaliou ao tomar essa decisão.
A décima semana seguida de alta nas projeções de inflação reforça a leitura de que o choque externo — vindo do petróleo acima de US$ 110 — ainda não dá sinais de arrefecimento. Com isso, o mercado financeiro revisou para baixo o espaço para novos cortes de juros ainda em 2026.
Do lado do câmbio, o mercado manteve a projeção de R$ 5,20 por dólar para o fechamento deste ano. Para 2027, a estimativa caiu de R$ 5,30 para R$ 5,27, indicando ligeira melhora na expectativa cambial de médio prazo.
Para o PIB, as projeções seguem abaixo dos 2,3% registrados em 2025: 1,85% em 2026 e 1,77% em 2027. A combinação de inflação persistente e juros elevados limita o espaço para um crescimento mais robusto nos próximos dois anos.
