O mercado financeiro elevou pela décima primeira semana consecutiva sua estimativa de inflação para 2026, que ultrapassou a barreira dos 5%. Os dados constam do Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (25) pelo Banco Central, com base em pesquisa com mais de 100 instituições financeiras.
A pressão vem do petróleo: o conflito no Oriente Médio empurrou o barril para próximo de US$ 95, ameaçando encarecer combustíveis e corroer o poder de compra dos brasileiros.
Apesar da inflação projetada em alta, o mercado financeiro manteve a aposta em queda dos juros. A taxa Selic está em 14,50% ao ano — após dois cortes já realizados em 2026 — e os analistas seguem prevendo novas reduções ao longo do ano.
As estimativas de crescimento também foram revisadas. Para o PIB de 2026, a projeção subiu de 1,85% para 1,89%. Já para 2027, houve recuo: de 1,77% para 1,70%. Em 2025, o PIB cresceu 2,3%, de acordo com o IBGE.
No câmbio, a estimativa para o fim de 2026 caiu de R$ 5,20 para R$ 5,17 por dólar. Para o fechamento de 2027, a projeção recuou de R$ 5,27 para R$ 5,26.
Na semana anterior, o Ministério da Fazenda já havia revisado sua projeção de inflação para 4,5% — o teto da meta do CMN — com a mesma justificativa: o petróleo disparado pela guerra no Oriente Médio. Fazenda eleva estimativa de inflação para 4,5% com petróleo acima de US$ 110.
O movimento não surpreende analistas atentos ao cenário externo. Em abril, o Banco Mundial já havia antecipado o risco ao projetar alta de 24% nos preços de energia globais — advertência que agora se materializa no bolso do consumidor brasileiro. Banco Mundial prevê alta de 24% nos preços de energia com guerra no Oriente Médio.
O impacto da inflação recai de forma desproporcional sobre a população de menor renda. Quando os preços sobem e os salários não acompanham, o poder de compra encolhe — e as camadas mais vulneráveis sentem o aperto primeiro.
O Boletim Focus é publicado semanalmente pelo Banco Central e consolida as expectativas de mais de 100 instituições financeiras para os principais indicadores da economia brasileira: inflação, juros, câmbio e crescimento do PIB.