O mercado brasileiro abre a semana com agenda carregada em ambas as frentes. O Boletim Focus do Banco Central, divulgado nesta manhã, registrou a 12ª elevação consecutiva na projeção de inflação para 2026, que chegou a 5,09%.
No plano externo, a sinalização de que Estados Unidos e Irã estão próximos de estender o cessar-fogo por 60 dias e iniciar negociações sobre o programa nuclear iraniano aqueceu as bolsas globais — mas o desfecho definitivo ainda aguarda o aval de Donald Trump.
Focus consolida três meses de revisões da inflação
O relatório semanal do Banco Central confirmou mais uma semana de pressão sobre as expectativas de preços. A revisão desta segunda-feira para 5,09% marca a 12ª elevação consecutiva nas projeções para o IPCA de 2026 — sinal de que o ciclo de ajuste monetário ainda não convenceu o mercado de que a inflação está controlada.
Além do Focus, a Fundação Getulio Vargas (FGV) publica nesta manhã o Índice de Confiança Empresarial (ICE), que mede a percepção dos empresários sobre o estado atual da economia e as perspectivas para os próximos meses. No exterior, os índices PMI industrial e ISM manufatureiro dos EUA também compõem a agenda e podem influenciar a precificação do câmbio ao longo do dia.
EUA e Irã sinalizam extensão do cessar-fogo por 60 dias
A principal força externa sobre os mercados é a perspectiva de um novo entendimento entre Washington e Teerã. Segundo agências internacionais, os dois países chegaram a um entendimento preliminar para estender a trégua por 60 dias e abrir negociações formais sobre o programa nuclear iraniano.
A proposta de 60 dias em discussão é desdobramento do acordo inicial de 30 dias negociado em 8 de maio, quando os EUA e o Irã sinalizaram pela primeira vez um entendimento — e o dólar recuou para R$ 4,91 com o alívio nos mercados.
O conflito teve início no fim de fevereiro, após ataques dos EUA e de Israel contra o Irã, e se espalhou pelo Oriente Médio, pressionando o mercado de energia. Um dos principais pontos de disputa é o controle do Estreito de Ormuz, por onde passa parcela relevante do petróleo comercializado globalmente. O Irã restringiu o tráfego na região; os EUA responderam com bloqueio naval aos portos iranianos.
Nesta manhã, Trump publicou no TruthSocial que prepara uma “decisão final” sobre o acordo. O Irã classificou as declarações como “uma mistura de verdade e falsidade” e negou ter concordado em destruir material nuclear ou reabrir o Estreito de Ormuz sem pedágio — exigências que constam entre as condições americanas.
A perspectiva de entendimento já se refletiu nos mercados globais. Em Wall Street, o Dow Jones avançava 0,60%, o S&P 500 subia 0,16% e o Nasdaq Composite registrava alta de 0,10% no fim da tarde desta segunda-feira.
Na Europa, o índice pan-europeu STOXX 600 fechou a última sessão de maio com alta de 0,1%, garantindo semana positiva. O DAX alemão avançou 0,05%, enquanto o FTSE 100 britânico recuou 0,16% e o CAC-40 francês cedeu 0,07%.
O desempenho asiático foi misto. Em Xangai, o SSEC caiu 0,73% e o CSI300 recuou 0,45%. Hong Kong foi na direção contrária: o Hang Seng avançou 0,70%. Em Tóquio, o Nikkei disparou 2,53%, encerrando o pregão aos 66.329 pontos.
A mudança de tom é significativa: ainda na última quinta-feira, o mercado operava cético quanto a qualquer avanço diplomático, com o petróleo Brent acima de US$ 125 e o cessar-fogo anterior estagnado — o que torna a nova sinalização de acordo uma virada relevante para os ativos de risco.
No front doméstico, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, comentou em entrevista à rádio CBN a classificação das facções Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas pelos Estados Unidos — decisão que adiciona um elemento geopolítico à relação bilateral no horizonte do mercado.
