O mercado financeiro voltou a elevar sua projeção de inflação para 2026 nesta segunda-feira (8), chegando a 5,11% — a 13ª semana consecutiva de alta, segundo o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central.
O principal fator citado pelos analistas é a guerra no Oriente Médio, que mantém o barril de petróleo próximo a US$ 94 e ameaça pressionar os combustíveis no país.
O choque vem de fora. O conflito no Oriente Médio mantém o petróleo em patamar elevado — cerca de US$ 94 o barril nesta segunda —, e qualquer repasse nos combustíveis pressiona toda a cadeia de preços no Brasil, do transporte ao varejo.
Não é a primeira vez que o mesmo vetor externo força revisões para cima. Em maio, quando o barril operava acima de US$ 110, o Ministério da Fazenda já havia elevado sua projeção de inflação para 4,5% — exatamente no teto da meta do CMN, sinalizando a persistência da pressão importada.
Juros e crescimento
Mesmo com as projeções de inflação em alta, o mercado financeiro ainda trabalha com cortes da taxa Selic, mas de menor magnitude. A taxa básica de juros está em 14,50% ao ano, após dois cortes realizados em 2026.
Para o Produto Interno Bruto de 2026, a estimativa avançou marginalmente, de 1,90% para 1,91% — bem abaixo do resultado oficial de 2025, quando a economia brasileira cresceu 2,3%, conforme o IBGE. Para 2027, a projeção de crescimento do PIB permaneceu em 1,70%.
No câmbio, as projeções recuaram levemente. Para o fechamento de 2026, a estimativa passou de R$ 5,16 para R$ 5,15 por dólar. Para 2027, a projeção caiu de R$ 5,25 para R$ 5,20.
O que muda para o bolso do brasileiro
Uma inflação projetada acima de 5% em 2026 representa perda real de poder de compra — especialmente para trabalhadores com salários fixos, que tendem a não ter reajustes na mesma velocidade dos preços. O impacto é mais severo nas famílias de menor renda, que comprometem parcela maior do orçamento com alimentos e combustíveis.
O Boletim Focus é publicado semanalmente pelo Banco Central com base em pesquisa junto a mais de 100 instituições financeiras. Suas projeções funcionam como termômetro das expectativas do mercado e influenciam decisões de política monetária.
