Meio ambiente

Guerra no Oriente Médio acelera urgência na transição energética, diz ONU

Simon Stiell afirma em Paris que crise do petróleo torna lógica das renováveis impossível de ignorar
Mapa Oriente Médio com petróleo e Ormuz: a transição energética na guerra do Oriente Médio

O chefe de clima da ONU, Simon Stiell, afirmou nesta quinta-feira (30), em Paris, que a crise de preços do petróleo provocada pela guerra no Oriente Médio torna a mudança para energias renováveis uma necessidade econômica — não apenas ambiental.

Para Stiell, a dependência de combustíveis fósseis deixa países reféns de choques geopolíticos. A janela aberta pela crise deve ser aproveitada até a COP33, quando os países terão de prestar contas dos compromissos climáticos globais.

Estreito de Ormuz no centro da crise

O conflito atingiu diretamente o Estreito de Ormuz, rota por onde circulam cerca de 20 milhões de barris de petróleo por dia — 20% de todo o consumo mundial. Com as ameaças à passagem estratégica, o petróleo tipo Brent acumulou alta de mais de 50% em relação ao início do ano.

Dois dias antes do discurso, o Banco Mundial já havia projetado alta de 24% nos preços de energia em 2026, com o Brent como principal vetor de pressão. Os dados convergem: a volatilidade dos fósseis impõe custo real e crescente às economias.

Renováveis avançam mesmo sem acordo climático

Em 2025, o investimento global em energia limpa deve ser o dobro do destinado a combustíveis fósseis. A geração solar cresceu 600 terawatts-hora em relação a 2024 — avanço colossal, mesmo com a transição ainda desigual entre países e regiões.

Espanha e Paquistão foram citados por Stiell como exemplos de resiliência: com matrizes renováveis mais robustas, sofreram menos os piores impactos da crise atual. China, Índia, Indonésia, Coreia do Sul, Alemanha e Reino Unido aceleraram seus planos renováveis com foco explícito em segurança energética. Na França, palco do discurso, o financiamento para eletrificação está dobrando.

Três frentes de urgência além da energia elétrica

Além da transição elétrica em si, Stiell delimitou três áreas de ação imediata: investimento em redes e armazenamento de energia, redução drástica das emissões de metano — gás de efeito estufa de alta potência — e proteção da segurança alimentar global.

Neste último ponto, a guerra pesa de forma direta: a escassez de fertilizantes provocada pelo conflito ameaça 45 milhões de pessoas com fome aguda em 2025. O FMI estimou que a guerra pode empurrar mais 45 milhões à fome aguda — exatamente o número citado pelo secretário ao cobrar foco na segurança alimentar e na escassez de insumos agrícolas.

Para países em desenvolvimento que querem adotar energia limpa mas são freados por falta de recursos e crises de dívida, Stiell cobrou o cumprimento da Nova Meta Coletiva Quantificada e a concretização do roteiro para mobilizar US$ 1,3 trilhão em financiamento climático.

Janela com prazo definido

Onze ministros das Finanças alertaram em abril que os efeitos econômicos do conflito continuarão pressionando a economia global por anos — mesmo após um eventual cessar-fogo. Para Stiell, a resposta está em não desperdiçar o momento atual. “Não temos tempo a perder”, disse o secretário ao encerrar seu discurso em Paris.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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