Onze países alertaram nesta quarta-feira (15) que o conflito no Oriente Médio continuará pressionando o crescimento global, a inflação e os mercados financeiros — mesmo depois de um eventual cessar-fogo.
A declaração conjunta foi divulgada pelo governo do Reino Unido durante as Reuniões de Primavera do FMI e do Banco Mundial, em Washington, e reúne ministros das Finanças de Austrália, Japão, Suécia, Holanda, Finlândia, Espanha, Noruega, Irlanda, Polônia e Nova Zelândia.
No documento, os ministros listam três cenários de risco que poderiam aprofundar ainda mais os danos: a retomada das hostilidades, a ampliação do conflito para outros países da região e a continuidade das interrupções no Estreito de Ormuz — passagem estratégica por onde escoa parcela significativa do petróleo mundial.
A avaliação é que esses fatores comprometem simultaneamente a segurança energética, as cadeias de suprimentos e a estabilidade dos mercados financeiros globais. O grupo ressalta que, mesmo com uma solução duradoura para o conflito, os efeitos sobre a economia tendem a persistir.
Compromissos e alerta contra protecionismo
Os signatários se comprometeram a adotar medidas internas fiscalmente responsáveis e direcionadas às populações mais vulneráveis. Ao mesmo tempo, defenderam que governos evitem ações protecionistas — como controles de exportação injustificados, formação de estoques estratégicos e outras barreiras comerciais relacionadas a hidrocarbonetos e às cadeias de suprimentos afetadas pela crise.
A avaliação dos ministros ecoa o alerta que a Comissão Europeia já havia feito na semana passada: mesmo após o cessar-fogo, a crise energética provocada pelo conflito não terá vida curta.
A preocupação com efeitos duradouros não é nova. Um levantamento do FMI com dados históricos desde 1946 mostrou que países afetados por conflitos perdem em média 7% da produção em cinco anos — e as cicatrizes econômicas persistem por mais de uma década.
Às vésperas das reuniões em Washington, a diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, já havia alertado que o conflito deve gerar entre US$ 20 bilhões e US$ 50 bilhões em novos pedidos de socorro financeiro ao fundo — um sinal do tamanho da pressão que os ministros agora formalizam em declaração conjunta.
A declaração representa um esforço de coordenação entre economias desenvolvidas diante de um cenário de incerteza prolongada. Nenhum dos onze signatários está diretamente envolvido no conflito, mas todos enfrentam suas consequências econômicas — da pressão inflacionária ao risco de fragmentação das cadeias produtivas globais.
