A Coca-Cola está reduzindo o tamanho de suas embalagens como resposta à pressão inflacionária e à queda no consumo de refrigerantes, especialmente nos Estados Unidos. A mudança de rota foi anunciada por Henrique Braun, o brasileiro que assumiu o comando global da empresa em março de 2026.
Em vez de oferecer promoções ou cortar preços, a companhia aposta que embalagens menores — e mais baratas por unidade — incentivem compras mais frequentes. A lógica: o consumidor paga menos a cada ida ao mercado, mesmo levando menos produto.
Apesar do cenário adverso, a Coca-Cola superou as expectativas do mercado no primeiro trimestre de 2026, com receita de US$ 12,5 bilhões — alta de 12% — e lucro por ação 18% acima do registrado um ano antes.
A virada de estratégia reflete um ambiente de consumo deteriorado. Nos Estados Unidos, a confiança dos consumidores atingiu o nível mais baixo já medido pela Universidade de Michigan, pressionada pela inflação, instabilidade geopolítica e enfraquecimento do mercado de trabalho.
Em entrevista ao The Wall Street Journal, Braun explicou que a empresa prefere ajustar o volume das embalagens a entrar em guerras de preço. Latinhas menores, como as de 220 ml e 310 ml, já estão em expansão em lojas de conveniência nos EUA. A companhia também lançou uma garrafa de 1,25 litro para consumo doméstico — uma alternativa intermediária entre as versões pequenas e as tradicionais de dois litros.
No Brasil, os resultados foram positivos. O volume de vendas cresceu 3,6%, totalizando 306 milhões de caixas, com receita de aproximadamente US$ 1,2 bilhão — alta de 5% na comparação anual. A divisão América do Sul registrou avanço de 18,8% no lucro operacional, ajudando a compensar a fraqueza no México.
Por aqui, a Coca-Cola FEMSA é responsável pela produção e distribuição das bebidas da marca, com um portfólio que vai de refrigerantes como Fanta, Sprite e Schweppes a sucos Del Valle, chás Leão, energéticos e cervejas como Eisenbahn, Sol e Estrella Galicia.
O CEO brasileiro à frente de uma gigante global
Henrique Braun representa um caso raro no mundo corporativo: um executivo formado no Brasil que chegou ao topo de uma das maiores empresas do planeta. Com dupla nacionalidade — nasceu na Califórnia, mas foi criado no Brasil —, ele entrou na Coca-Cola como trainee em 1996 e construiu uma carreira de quase três décadas passando por lideranças na China, no Brasil e na América Latina.
Antes de assumir o cargo máximo, ocupou a posição de diretor de operações (COO), coordenando atividades em todos os mercados globais. Braun substituiu James Quincey, que segue como chairman do conselho.
A Coca-Cola afirma que a escolha do executivo reflete sua experiência em períodos de transição no comportamento do consumidor e de aumento da concorrência no setor de bebidas.
O resultado do primeiro trimestre — com lucro ajustado de US$ 0,86 por ação, acima da projeção de US$ 0,81 estimada pela FactSet — sugere que a companhia ainda tem fôlego para navegar o ciclo adverso. O crescimento foi puxado principalmente pela maior venda de concentrados, insumo base que a Coca-Cola fornece a seus parceiros engarrafadores ao redor do mundo.
