Economia

Lares unipessoais mais que dobram no Brasil em uma década, aponta IBGE

Envelhecimento da população é o principal motor de uma transformação silenciosa nos domicílios brasileiros
Brasileiros vivendo sozinhos crescem em domicílios unipessoais registrados pelo IBGE em nova era

O Brasil chegou a 2025 com quase um em cada cinco domicílios ocupado por uma única pessoa. Segundo a PNAD Contínua divulgada nesta sexta-feira (17) pelo IBGE, os lares unipessoais representam hoje 19,7% das residências do país — ante 12,2% em 2012.

Em números absolutos, o salto é ainda mais expressivo: de 7,5 milhões para 15,6 milhões de domicílios com apenas um morador, crescimento de 109,8% em treze anos. O envelhecimento acelerado da população é apontado pelos pesquisadores como o principal fator dessa transformação.

Por que mais brasileiros estão morando sozinhos

Para o analista do IBGE William Kratochwill, a mudança reflete transformações demográficas que se consolidaram nas últimas décadas. Saída dos filhos de casa e viuvez tornaram-se ocorrências mais comuns à medida que a população envelhece — dois eventos que, naturalmente, deixam adultos mais velhos em domicílios individuais.

Os homens ainda são maioria entre quem vive só: representavam 54,9% dos moradores de lares unipessoais em 2025. Kratochwill associa esse perfil a separações conjugais — especialmente quando os filhos ficam com a mãe — e a deslocamentos por trabalho em centros urbanos dinâmicos.

Entre as mulheres, o fenômeno tem outras raízes: a maior longevidade feminina amplia os casos de viuvez, e separações em idade avançada também contribuem. Além disso, muitas mulheres optam conscientemente por manter autonomia residencial.

Onde o fenômeno é mais intenso

A concentração de lares unipessoais acompanha o mapa do envelhecimento e da urbanização. O Sudeste lidera com 20,9% dos domicílios formados por um único morador, seguido pelo Centro-Oeste (20%). O Norte registra o menor índice, com 15,1%.

Nas capitais, os números são mais altos. Florianópolis se destaca com 30,5% dos domicílios unipessoais — a maior proporção entre as capitais analisadas pela pesquisa. Kratochwill atribui esse resultado à combinação de envelhecimento, urbanização intensa e atração de trabalhadores e estudantes de outras regiões.

Paradoxalmente, o crescimento mais acelerado desde 2012 ocorreu no Norte e no Nordeste, onde o número desse tipo de domicílio aumentou 131% no período — ritmo superior à média nacional.

Brasil em transição: pirâmide etária se inverte

O crescimento dos lares unipessoais é apenas o reflexo mais visível de uma mudança estrutural mais profunda. Em 2025, o Brasil tem 212,7 milhões de habitantes, mas cresce cada vez menos: a taxa anual de expansão recuou de 0,78% em 2013 para cerca de 0,40% nos últimos quatro anos.

A população com 60 anos ou mais saltou de 11,3% para 16,6% entre 2012 e 2025. Já o grupo com 65 anos ou mais representa 11,6% do total. No sentido oposto, os brasileiros com menos de 30 anos diminuíram 10,4% em termos absolutos no mesmo período — reflexo direto da queda na fecundidade.

Kratochwill descreve uma pirâmide etária com base mais estreita e topo mais largo: faixas infantis e juvenis perderam peso relativo, enquanto adultos e idosos crescem proporcionalmente. Até o grupo de 30 a 39 anos, que expandia no início da série histórica, entrou em retração a partir de 2017.

A desproporção entre sexos se acentua na velhice: acima dos 60 anos, há apenas 78,9 homens para cada 100 mulheres, resultado da mortalidade masculina historicamente mais elevada no país. Esse desequilíbrio reforça o perfil feminino entre os idosos que vivem sozinhos — e ajuda a explicar por que o fenômeno dos lares unipessoais tende a crescer ainda mais nas próximas décadas.

A Redação Tropiquim é responsável pela curadoria e edição do conteúdo do portal, sob direção editorial de Giulia Gigli. Reunimos o que importa no noticiário brasileiro e entregamos com clareza, contexto e um olhar que acredita no Brasil — sempre com curadoria e supervisão editorial humana. Cada publicação passa por critérios de relevância, precisão e atribuição de fontes.
Escrito com o apoio da inteligência artificial
Este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
Leia mais

Cresce número de lares com apenas um morador no Brasil aponta IBGE

Renda mais alta impulsiona melhorias na moradia mas dependência do aluguel cresce no Brasil

Aluguel avança 54% em nove anos e transforma o perfil da moradia no Brasil

IBGE divulga população brasileira de 2134 milhões de habitantes em 2025

Famílias do Bolsa Família têm renda 70% menor que quem não recebe o programa, diz IBGE

Déficit habitacional atinge menor nível histórico mas moradias inadequadas aumentam no Brasil