Economia

Renda mais alta impulsiona melhorias na moradia mas dependência do aluguel cresce no Brasil

Proporção de brasileiros vivendo de aluguel atinge 23 em 2024 enquanto casas próprias caem segundo IBGE

O aumento da renda no Brasil tem melhorado as condições de moradia, mas também ampliado a dependência do aluguel, de acordo com a PNAD Contínua do IBGE divulgada em 22 de março. Em 2024, 23% dos brasileiros viviam de aluguel, ante 18,4% em 2016. Já a fatia de domicílios próprios caiu de 66,8% para 61,6% no mesmo período.

O levantamento mostra ainda mudanças no tipo de moradia e maior acesso a bens como máquina de lavar e automóveis, indicando avanços no padrão de vida.

Dados da PNAD Contínua mostram mudanças no perfil da moradia

Segundo a pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a proporção de imóveis alugados no Brasil subiu de 18,4% em 2016 para 23% em 2024, um aumento de 4,66 pontos percentuais em oito anos. Em contrapartida, os domicílios próprios e pagos, embora ainda sejam maioria, encolheram de 66,8% para 61,6%, uma queda de 5,2 pontos percentuais.

O levantamento também destaca o crescimento da participação dos apartamentos como tipo de moradia. Entre 2016 e 2024, houve alta de 1,6 ponto percentual na presença desse tipo de imóvel, enquanto as casas, apesar de ainda predominarem, perderam espaço.

Urbanização e valorização imobiliária

O analista do IBGE, Kratochwill, explica que a tendência reflete a concentração de moradias em áreas urbanas, impulsionada pela construção de prédios. “As pessoas querem viver próximas do trabalho e dos serviços. Como o espaço da terra é limitado, aumenta a utilização do mesmo espaço e incentiva a construção de prédios para apartamentos.” Ele também destaca que a maior demanda por moradia pressiona os preços, tanto de aluguéis quanto de imóveis à venda.

Melhoria nas condições de vida acompanha aumento de renda

A pesquisa avaliou a presença de bens nos domicílios para identificar o padrão de vida das famílias brasileiras. A geladeira segue como item mais presente nos lares, passando de 98% em 2016 para 98,3% em 2024. Já a máquina de lavar, indicador de melhora de renda, avançou de 63% para 70,4% no mesmo período.

Kratochwill ressalta que “a posse de um bem indica poder de compra. Quando esse índice cresce, reflete o aumento da renda. A PNAD vem mostrando essa evolução no rendimento dos brasileiros ao longo dos anos”. O acesso a itens como a máquina de lavar também representa avanços no bem-estar, pois libera tempo para outras atividades.

O automóvel também se tornou mais comum: carros estavam presentes em 47,6% dos lares em 2016 e passaram para 48,8% em 2024; motos subiram de 22,6% para 25,7%; e a presença de ambos os veículos aumentou de 10,7% para 13,4%. Segundo o analista do IBGE, esse crescimento está ligado à melhora dos rendimentos e ao maior acesso ao crédito para financiamentos.

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