Economia

Famílias do Bolsa Família têm renda 70% menor que quem não recebe o programa, diz IBGE

PNAD Contínua 2025 mostra que 18 milhões de lares dependem de benefícios sociais para compor o orçamento
Retrato de família mostrando realidade de renda per capita Bolsa Família, dados IBGE 2025

A renda dos brasileiros beneficiados pelo Bolsa Família corresponde a menos de 30% da renda de quem não recebe o programa. Em 2025, o rendimento domiciliar per capita médio entre essas famílias foi de R$ 774, contra R$ 2.682 entre os não beneficiários.

Os dados são da PNAD Contínua 2025, divulgada nesta sexta-feira (8) pelo IBGE, e revelam que 22,7% dos domicílios brasileiros — 18 milhões de lares — tinham ao menos um morador recebendo algum benefício social no ano passado.

Entre todos os domicílios que recebiam algum programa social — incluindo Bolsa Família, BPC-LOAS e outros auxílios —, o rendimento domiciliar per capita médio chegou a R$ 886 em 2025. O dado reforça que, embora os benefícios sejam essenciais, as famílias atendidas ainda estão muito abaixo da média nacional.

BPC-LOAS atinge maior cobertura histórica

O BPC-LOAS, voltado principalmente a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda, alcançou 5,3% dos lares brasileiros em 2025 — o maior percentual da série histórica do levantamento. Entre os domicílios atendidos, a renda per capita média foi de R$ 1.218.

O Bolsa Família, por sua vez, seguiu como o principal programa de transferência de renda do país, presente em 17,2% dos domicílios. A renda per capita de R$ 774 entre seus beneficiários representa melhora em relação a 2019, quando era de R$ 488, mas ainda fica muito aquém da média dos não beneficiários.

Famílias maiores, renda menor por pessoa

Um dos fatores que amplifica a desigualdade é o tamanho dos lares. Domicílios sem benefícios sociais tinham, em média, 2,5 moradores em 2025. Entre os que recebiam algum programa, a média subia para 3,2 pessoas — e nos lares atendidos pelo Bolsa Família, chegava a 3,4.

“Mesmo quando os valores individuais parecem limitados, eles acabam sendo fundamentais para sustentar casas com mais moradores e menor renda por pessoa”, afirmou Gustavo Geaquinto Fontes, analista do IBGE.

A mesma PNAD Contínua revelou um fenômeno inverso: enquanto os lares beneficiados pelo Bolsa Família têm em média 3,4 moradores, o Brasil bate recorde em domicílios com apenas uma pessoa — quase um em cada cinco residências no país. Veja o levantamento completo sobre lares unipessoais no Brasil.

Disparidade regional acentuada

A participação dos programas sociais no orçamento familiar varia expressivamente entre as regiões. No Nordeste, os benefícios responderam por 8,8% da renda domiciliar per capita em 2025 — no Norte, por 7,5%. Em ambas as regiões, esses programas superaram aposentadorias e pensões como principal fonte de renda das famílias.

No Sul, o cenário é distinto: apenas 1,6% da renda domiciliar per capita regional vinha de programas sociais, com 4,5% da população recebendo algum tipo de auxílio. A diferença evidencia o peso estratégico dos benefícios em regiões de maior vulnerabilidade econômica.

No panorama nacional, os programas sociais representaram 3,5% do rendimento domiciliar per capita em 2025, ligeiramente abaixo dos 3,8% registrados em 2024. Apesar da leve retração, o alcance ainda supera os níveis pré-pandemia, quando apenas 17,9% dos lares eram atendidos.

A percepção de insuficiência de renda vai além dos beneficiários diretos: pesquisa do Datafolha revelou que seis em cada dez brasileiros afirmam que a renda familiar não cobre as despesas básicas — e entre quem ganha até dois salários mínimos, esse percentual sobe para 73%.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
Leia mais

Fintech Naskar é investigada por sumir com ao menos R$ 335 mi de clientes no DF

Google fecha acordo de R$ 245 milhões por discriminação racial sistêmica

Ciro Nogueira chama operação da PF de perseguição e mira eleição no Piauí

Trump recorre após tribunal declarar ilegal sua tarifa global de 10%