Política

Gilmar Mendes aciona PGR para investigar relator da CPI por abuso de autoridade

Ministro pede apuração contra Alessandro Vieira após proposta de indiciamento de colegas do STF ser rejeitada por 6 a 4
Ministro Gilmar Mendes acionando investigação contra Alessandro Vieira por abuso de autoridade no STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes encaminhou à Procuradoria-Geral da República um pedido formal para que o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) seja investigado por abuso de autoridade.

A iniciativa ocorre após Vieira, como relator da CPI do Crime Organizado, propor o indiciamento de ministros do STF — entre eles o próprio Gilmar — por crimes de responsabilidade. O relatório foi rejeitado pela própria comissão por 6 votos a 4.

O relatório apresentado por Vieira propunha que ministros do STF respondessem por crimes de responsabilidade, numa investida sem precedentes de uma comissão parlamentar contra membros da Corte. A proposta foi derrubada na própria CPI: o placar de 6 a 4 foi viabilizado por uma troca de última hora na composição da comissão, que garantiu maioria contrária ao indiciamento.

Ao acionar a PGR, Gilmar destacou tanto a rejeição do texto pela maioria dos senadores quanto a repercussão institucional negativa causada pela proposta. Para o ministro, a conduta do relator pode configurar o crime de abuso de autoridade.

O presidente do STF, Edson Fachin, já havia emitido nota de repúdio antes mesmo do pedido formal à PGR. Fachin tachara a proposta de “desvio de finalidade” e reiterou solidariedade aos colegas listados no relatório como alvos de indiciamento.

Da posição de alvo ao pedido de investigação

O movimento de Gilmar representa uma virada no embate institucional: saindo do papel de alvo, o ministro passou a requerer que o autor do relatório seja apurado criminalmente. Na sessão da 2ª Turma do STF, Gilmar já havia alertado publicamente que os excessos da CPI poderiam configurar abuso de autoridade — agora, transformou o argumento em pedido formal encaminhado à PGR.

O episódio expõe a tensão crescente entre a CPI do Crime Organizado e o Supremo. O colegiado, instalado no Senado para investigar organizações criminosas, teve seu trabalho envolto em polêmica ao direcionar o foco para a conduta de membros da própria Corte.

A derrota do relatório por maioria dos próprios senadores da comissão indica que a iniciativa de Vieira não obteve respaldo institucional suficiente — justamente o argumento que Gilmar utilizou como um dos fundamentos do pedido à PGR.

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