A CPI do Crime Organizado encerrou seus trabalhos sem relatório aprovado nesta terça-feira (14). O colegiado rejeitou, por 6 votos a 4, o texto apresentado pelo relator, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), que pedia o indiciamento de três ministros do Supremo Tribunal Federal e do procurador-geral da República.
No relatório derrotado, Vieira denunciou que a comissão sofreu “flagrante limitação de recursos” e enfrentou “enormes barreiras políticas e institucionais” à medida que as investigações avançaram sobre figuras de alto escalão da República.
A manobra que selou o placar
A margem de dois votos esconde uma movimentação de bastidores que definiu o resultado antes mesmo da sessão começar. Sergio Moro e Marcos do Val perderam a titularidade na CPI e foram substituídos por senadores do PT horas antes da votação, o que garantiu os seis votos contrários ao relatório de Vieira.
No texto rejeitado, o relator apontava que os três ministros do STF citados deveriam ter se declarado suspeitos para julgar o caso do Banco Master no Supremo. A justificativa era a suposta proximidade dos magistrados com Daniel Vorcaro, dono da instituição financeira — entre os nomes listados estavam Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes.
Além dos ministros, o relatório também requeria o indiciamento do procurador-geral da República. Para o relator, as resistências cresceram proporcionalmente ao avanço das apurações sobre “figuras imponentes da República”.
O oitavo fracasso desde 1975
O desfecho sem conclusão não é inédito no Parlamento brasileiro. A CPI do Crime Organizado torna-se a oitava comissão a encerrar sem relatório aprovado no Senado desde 1975 — lista que já inclui a CPI das Bets e a CPMI do INSS, ambas encerradas sem conclusão nos últimos meses.
Para Alessandro Vieira, as dificuldades da CPI não foram circunstanciais. O senador registrou no relatório que as barreiras institucionais se intensificaram na mesma medida em que investigações sobre nomes de peso avançaram — uma leitura que, rejeitada pelo plenário, não deixa de integrar o registro histórico dos trabalhos.
Sem relatório aprovado, a comissão encerra seus trabalhos sem indiciamentos formais, recomendações ou medidas concretas — resultado que, segundo o relator, reflete menos a ausência de provas e mais o peso das pressões enfrentadas ao longo das investigações.
