Meio ambiente

Lula vai à COP31 em busca de US$ 2,2 bilhões para destravar fundo de florestas tropicais

Se o TFFF não chegar a US$ 10 bilhões até 31 de dezembro, o aporte de US$ 3 bilhões prometido pela Noruega fica comprometido
Lula em retrato oficial diante da Mesquita Azul, em Istambul, simbolizando o fundo florestas tropicais COP31

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca na segunda-feira (9) para a Turquia com uma conta para fechar. Faltam US$ 2,2 bilhões para que o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) chegue aos US$ 10 bilhões de que precisa para começar a funcionar.

O mecanismo foi criado pelo Brasil e lançado na COP30, em Belém, e hoje soma cerca de US$ 7,8 bilhões em compromissos. Na cúpula de líderes da COP31, em Antália, Lula vai tentar atrair novos países e investidores para o fundo.

Prazo da Noruega pressiona o fundo

Os US$ 10 bilhões em capital público funcionam como o gatilho contratual que ativa o TFFF. O prazo de 31 de dezembro foi imposto pela Noruega, maior doadora do fundo, com US$ 3 bilhões. Se a meta não for alcançada até o fim do ano, o dinheiro norueguês fica comprometido.

A conferência não é o prazo final. O valor precisa ser atingido até o fim de 2026, e a COP31 é vista pelo governo como uma oportunidade de conseguir novas contribuições. Em outubro, quando a ida de Lula à Turquia foi confirmada depois de um telefonema com Erdogan, o fundo somava cerca de US$ 7,3 bilhões em compromissos.

O TFFF paga os países que conservam suas florestas tropicais. Os repasses dependem da manutenção da cobertura florestal e vão para quem cumpre os critérios de conservação. A ambição de longo prazo é chegar a US$ 125 bilhões: US$ 25 bilhões de governos e US$ 100 bilhões do setor privado internacional.

A aposta brasileira no mecanismo vem de antes. Em 2025, Lula anunciou um aporte de US$ 1 bilhão do Brasil e defendeu que o fundo não é caridade, e sim investimento.

Novos aportes em negociação

Entre os compromissos já firmados, Noruega e Alemanha são os maiores. Reino Unido e Países Baixos anunciaram contribuições que devem ser formalizadas durante a conferência.

Os dois países também vão participar de um encontro sobre florestas marcado para 11 de novembro, às 15h. Lá, Lula vai defender o fortalecimento do fundo. Também participam representantes de Brasil, Noruega, Guiana e Congo, entre outros países que integram iniciativas de financiamento florestal. A ideia é aproximar os diferentes mecanismos de preservação e ampliar a captação internacional de recursos.

Lula quer chegar com resultados, não com propostas

Na sexta-feira (6), Lula disse que pretende convencer outros países a colocar dinheiro no TFFF e que os aportes não devem ser tratados como doações, porque parte dos lucros vai para a preservação ambiental. “Não é dar, é fazer investimento”, afirmou.

O presidente disse ainda que o Brasil vai à conferência para mostrar o que já fez. “Nós não vamos chegar dando palpite. Nós vamos chegar dizendo o que nós fizemos”, declarou. Segundo ele, o objetivo é mostrar que manter a floresta em pé pode render mais do que derrubá-la para abrir pasto, sem atrapalhar a agricultura nem os negócios.

Agenda em Antália

Lula será um dos três oradores da abertura da cúpula de líderes, em 11 de novembro, ao lado do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, e do primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese. O governo trata o convite como um reconhecimento do papel do país nas negociações climáticas.

Além do fundo, a delegação brasileira leva à conferência dados sobre a queda do desmatamento, que está nos menores índices da série histórica. Leva também o relatório bienal de transparência, que registra uma redução líquida de 560 milhões de toneladas de CO₂ entre 2022 e 2024, e as diretrizes dos mapas do caminho nacionais para a transição energética e o combate ao desmatamento.

O governo recebeu mais de 15 pedidos de reuniões bilaterais, que devem se concentrar na manhã de 12 de novembro. Um encontro com Erdogan é considerado provável, mas ainda não foi confirmado. A viagem inclui ainda uma passagem pelas Filipinas.