Meio ambiente

Aporte britânico leva fundo de florestas tropicais a US$ 7,3 bilhões

Criado pelo Brasil, o TFFF só destrava se reunir US$ 10 bilhões até 31 de dezembro — prazo imposto pela Noruega, maior doadora
Reino Unido reforça fundo de florestas tropicais que protege povos indígenas na Amazônia

O TFFF (Fundo Florestas Tropicais para Sempre) alcançou cerca de US$ 7,3 bilhões em compromissos depois que o Reino Unido formalizou um aporte de £ 400 milhões, o equivalente a aproximadamente US$ 540 milhões, durante a Semana do Clima de Nova York.

O número ainda está abaixo do gatilho contratual: o fundo de florestas tropicais idealizado pelo Brasil só começa a operar quando reunir US$ 10 bilhões em capital público — patamar que o governo Lula quer atingir até 31 de dezembro.

Por que 31 de dezembro virou o prazo decisivo

A data não é uma meta simbólica. Ela foi imposta pela Noruega, maior doadora do mecanismo, com US$ 3 bilhões comprometidos: se os US$ 10 bilhões não estiverem fechados até o fim do ano, o dinheiro norueguês fica comprometido.

Além de noruegueses e britânicos, Brasil, Indonésia, Alemanha, França e Luxemburgo já anunciaram recursos. A parte brasileira é de US$ 1 bilhão, valor anunciado por Lula um ano antes, também durante a Assembleia Geral da ONU.

O compromisso do Reino Unido já vinha sendo sinalizado desde o início de setembro, quando o país anunciou a intenção de emprestar as £ 400 milhões ao fundo. A formalização coube à ministra para a Transição Climática, Katie White, ao lado do ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco.

O gatilho de US$ 10 bilhões, porém, é só a porta de entrada. A ambição de longo prazo é montar um ecossistema de US$ 125 bilhões: US$ 25 bilhões vindos de governos e outros US$ 100 bilhões captados diretamente com o setor privado internacional.

Como o fundo pretende pagar pela floresta em pé

Lançado oficialmente na COP30, em Belém, o TFFF foi desenhado para remunerar países em desenvolvimento que preservam florestas tropicais, com repasses anuais calculados por hectare conservado e verificados por monitoramento via satélite.

A engenharia prevê captar recursos no mercado e repassar aos países os rendimentos, não o principal. Pelas regras, no mínimo 20% de todos os pagamentos vão diretamente a povos indígenas e comunidades locais. O arranjo tem apoio do Banco Mundial, de organizações internacionais, da sociedade civil, de povos indígenas e de comunidades locais.

Dinheiro público como chave para o privado

Dias antes do anúncio britânico, Capobianco participou na sede das Nações Unidas de um diálogo sobre financiamento da adaptação e pediu que bancos multilaterais e fundos climáticos ampliem doações e recursos concessionais. “O financiamento público não pode ser substituído pelo investimento privado. Ele é fundamental para tornar o investimento privado possível”, afirmou.

A sessão integrou os diálogos temáticos convocados pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, rumo à Cúpula do Clima 2026, com ministros de Indonésia, Jamaica, Senegal, África do Sul, México e Azerbaijão. O enquadramento repete o argumento com que Lula apresentou a iniciativa em 2025: “O TFFF não é caridade. É um investimento de valor, na humanidade e no planeta contra o caos climático”.