O governo do Reino Unido anunciou nesta quinta-feira (3) a intenção de investir £ 400 milhões (R$ 2,7 bilhões) no Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), mecanismo criado pelo Brasil e lançado na COP30 para financiar a conservação de florestas tropicais.
O aporte será feito por meio de empréstimo, e não de doação, e ainda depende da definição das regras de governança do fundo e de uma análise final do governo britânico.
Como funciona o modelo de investimento
Diferentemente de mecanismos tradicionais baseados em doações diretas, o TFFF combina recursos públicos e privados e prevê que os rendimentos obtidos com as aplicações sejam distribuídos entre investidores e países que protegem suas florestas. Segundo o governo britânico, as nações que receberem recursos para conservar suas áreas florestais não precisarão devolver o dinheiro — a expectativa é que o próprio fundo gere retorno financeiro suficiente para remunerar tanto quem investe quanto quem preserva.
O TFFF foi lançado por iniciativa do Brasil, que também comprometeu recursos próprios ao mecanismo. Em setembro de 2025, o Brasil anunciou um aporte de US$ 1 bilhão ao fundo, quando ele ganhou adesão de outros países detentores de florestas tropicais e de nações investidoras como Alemanha, Noruega e o próprio Reino Unido, como mostrou o Tropiquim.
Ao optar por um empréstimo em vez de uma doação, o governo britânico afirma buscar uma forma de recuperar os recursos investidos, o que representa, segundo Londres, uma nova abordagem para o financiamento climático — com o país atuando como investidor. Como condição para o aporte, o Reino Unido também quer participar dos mecanismos de supervisão do fundo.
O investimento britânico ainda está sujeito a uma avaliação sobre o tamanho final do TFFF, sua estrutura, as regras de crédito e as condições do empréstimo — etapas que precisam ser concluídas antes da liberação dos recursos.
A movimentação ocorre em meio à pressão crescente sobre países ricos para transformar compromissos climáticos em recursos concretos, cenário que ajuda a explicar a disposição britânica em atuar como investidor — e não apenas doador —, como destacou o Tropiquim ao cobrir a COP30.
Segundo o governo britânico, a participação no TFFF permitirá apoiar ações de proteção do clima e da natureza e, ao mesmo tempo, buscar retorno financeiro para os recursos públicos aplicados.