Meio ambiente

Lula vai à COP31 para entregar a presidência e tentar manter o legado climático do Brasil

O fundo para florestas tropicais ainda não chegou à meta de ativação, e os roteiros sobre fósseis e desmatamento dependem da adesão de outros países
Bandeira do Brasil em destaque sobre fundo verde de floresta tropical: Lula entrega presidência COP31 e legado climático

Reeleito, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai à COP31, em Antália, na Turquia, para entregar o comando da conferência do clima da ONU, que o Brasil exerce desde a COP30, em Belém. O objetivo é garantir que as agendas lançadas pelo país continuem depois da troca de presidência.

A conferência vai de 9 a 20 de novembro, e os chefes de Estado se reúnem nos dias 11 e 12. A ida de Lula foi anunciada em nota oficial depois de um telefonema com o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan.

O que o Brasil leva para Antália

A COP30 terminou com 56 decisões aprovadas por consenso, entre elas o pacote Mutirão. O ponto mais disputado ficou fora do texto final: o mapa do caminho para a transição para longe dos combustíveis fósseis, que a presidência brasileira passou a tratar como iniciativa voluntária, fora da negociação formal.

O impasse sobre os fósseis e o financiamento climático já aparecia na conferência preparatória em Belém, que terminou sem acordo.

Um fundo ainda abaixo da meta

A maior aposta brasileira, o TFFF (Fundo Florestas Tropicais para Sempre), soma cerca de US$ 7,3 bilhões em compromissos. Para ser ativado, precisa chegar a US$ 10 bilhões até 31 de dezembro. A Noruega, maior doadora, com US$ 3 bilhões, condiciona o aporte a essa meta.

Três documentos para fechar a gestão

Antes de passar o cargo, a presidência brasileira prepara três entregas. A primeira é o roteiro dos combustíveis fósseis, com sete capítulos e contribuições de 115 países e 247 atores não estatais, número apresentado em Bonn, em junho.

A segunda é o roteiro de florestas, que mira parar e reverter o desmatamento até 2030. A terceira é a primeira atualização do roteiro de Baku a Belém, plano das presidências da COP29 e da COP30 para mobilizar US$ 1,3 trilhão por ano em financiamento climático para países em desenvolvimento até 2035, combinando fontes públicas e privadas.

Os roteiros sobre fósseis e florestas surgiram como saída depois de os países não chegarem a um consenso sobre um compromisso mais explícito de transição energética. A ideia é manter o tema na mesa internacional e propor caminhos concretos.

Legado sem garantia

O principal teste da gestão brasileira é a permanência das iniciativas depois que o comando mudar de mãos. A agenda de ação da COP reúne governos, empresas, instituições financeiras e sociedade civil, mas depende do engajamento desses parceiros e da disposição das próximas presidências.

Para reduzir esse risco, a COP30 criou o Acelerador Global de Implementação, conduzido em conjunto com a presidência turca para apoiar a execução das NDCs (metas climáticas nacionais) e dos planos de adaptação. A estrutura tem rede de parceiros, uma instituição coordenadora, um grupo independente de especialistas e um comitê de direção. Isso estimula a continuidade, mas não assegura que todos os projetos sejam mantidos.

A COP31 também terá um arranjo inédito: a Turquia sedia o evento, e a Austrália preside as negociações.

Agenda internacional até dezembro

Depois da vitória nas urnas, Lula retoma a agenda externa. O governo avalia a presença dele na abertura da cúpula da Asean, em novembro, nas Filipinas. Ele também pode ir à cúpula do Mercosul, em 4 de dezembro, em Montevidéu.

Em 14 e 15 de dezembro, Lula vai a Miami para a cúpula do G20, sob a presidência de Donald Trump. Antes de Belém, o presidente da COP30, André Corrêa do Lago, já apontava a saída dos EUA do Acordo de Paris como um dos principais desafios das negociações climáticas.