O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a Efta (Associação Europeia de Livre Comércio) entrou em vigor na Noruega neste domingo (1º). A partir de agora, valem as novas regras tarifárias com o segundo maior parceiro comercial do Brasil no bloco europeu.
A Noruega é o segundo país da Efta a aplicar o tratado. A Islândia já tem livre comércio com o Mercosul desde 1º de outubro. No Brasil, o texto foi promulgado depois de ser aprovado pelo Congresso Nacional, em junho.
O peso da Noruega no comércio com o Brasil
A Efta reúne Noruega, Suíça, Islândia e Liechtenstein, mas quase todo o comércio do Brasil com o bloco passa pelos dois primeiros. Juntos, suíços e noruegueses respondem por 99% das importações brasileiras vindas do grupo e por 94% das exportações.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), a balança comercial entre Brasil e Noruega somou US$ 1,7 bilhão de janeiro a setembro de 2026, com superávit de US$ 290,6 milhões para o lado brasileiro. O país nórdico está na 45ª posição no ranking de destinos das exportações brasileiras.
Pará lidera as vendas ao bloco
Entre os Estados, o Pará é o que mais exporta para os países da Efta, com US$ 1,7 bilhão. Depois vêm Minas Gerais (US$ 1 bilhão), Paraná (US$ 279,2 milhões), São Paulo (US$ 238,5 milhões) e Mato Grosso (US$ 112,5 milhões).
O que o tratado cobre
Além das tarifas, o acordo tem regras para investimentos em bens e serviços, reconhecimento de indicações geográficas e compromissos de propriedade intelectual. O texto trata também de compras governamentais, concorrência, regras de origem, defesa comercial, medidas sanitárias e fitossanitárias e barreiras técnicas.
Há ainda um capítulo sobre desenvolvimento sustentável, com ênfase na proteção do meio ambiente, da biodiversidade e dos direitos humanos. Entre os efeitos esperados estão o acesso preferencial de carnes, café e outros produtos agropecuários brasileiros ao mercado europeu e uma possível queda no preço de medicamentos importados.
Oito anos de negociação
As negociações começaram oficialmente em junho de 2017, em Buenos Aires, e levaram 14 rodadas até a conclusão, em setembro de 2025. Na ocasião, no Rio de Janeiro, o chanceler Mauro Vieira classificou o acordo como histórico, e o governo estimou impacto de R$ 2,69 bilhões no PIB brasileiro.
A zona de livre comércio criada pelo tratado reúne quase 300 milhões de pessoas e um PIB somado de mais de US$ 4,3 trilhões, segundo dados do acordo. Os dois blocos terão acesso ampliado a mais de 97% das exportações um do outro.
A expectativa é que o tratado abra oportunidades para pequenas e médias empresas e traga mais previsibilidade e segurança jurídica ao comércio entre os blocos. Ainda não há data para a entrada em vigor na Suíça, maior parceira do Brasil no grupo, nem em Liechtenstein.