Esporte

Fifa propõe dobrar premiação da Copa Feminina de 2027 no Brasil para US$ 220 milhões

Mesmo com o aumento, o valor fica longe dos US$ 655 milhões pagos na Copa masculina e da igualdade prometida por Infantino
Taça da Copa do Mundo em estádio, ilustrando a premiação Copa Feminina 2027 proposta pela Fifa

A Fifa quer pagar ao menos US$ 220 milhões em prêmios na Copa do Mundo Feminina de 2027, que será disputada no Brasil. O valor é o dobro do pago na edição de 2023. A informação é do site norte-americano The Athletic.

O plano também dobra o mínimo garantido a cada jogadora, de US$ 30 mil para US$ 60 mil, cerca de R$ 298,6 mil. A proposta ainda precisa do aval do Conselho da Fifa, que se reúne em dezembro, em Zurique.

O que muda para seleções e jogadoras

Parte do pacote já foi aprovada. O Conselho da Fifa aprovou as diretrizes gerais de distribuição de recursos do torneio, marcado para 24 de junho a 25 de julho de 2027, com 32 seleções. A iniciativa partiu da administração da entidade, que quer ampliar o apoio a quem disputa o Mundial e à profissionalização do futebol feminino no mundo.

Cada federação classificada receberá US$ 2,5 milhões para a preparação, alta de 160% sobre 2023, com repasses feitos até dezembro de 2026. A cifra é a mesma que a Fifa já havia garantido às seleções da Copa masculina de 2026, quando elevou os repasses daquele torneio para US$ 871 milhões.

O Programa de Benefícios a Clubes, criado em 2019 e ampliado em 2023, também terá reforço. De acordo com a reportagem, pela primeira vez a entidade pretende contemplar quem ficar de fora: além das 32 seleções, outras 148 associações-membro devem receber contribuições.

Como foi em 2023

Na Austrália e na Nova Zelândia, a Copa Feminina somou US$ 150 milhões em compromissos financeiros: US$ 110 milhões em prêmios e US$ 40 milhões para preparação e clubes. Foi também a primeira edição em que a Fifa pagou as atletas diretamente, sem passar o dinheiro pelas federações.

Promessa de igualdade fica pelo caminho

Mesmo dobrado, o prêmio feminino segue distante do masculino. Na Copa de 2026, com 48 seleções, a Fifa distribuiu US$ 871 milhões, dos quais US$ 655 milhões em premiação por desempenho, quase o triplo do previsto para 2027.

A diferença chama atenção porque contraria o compromisso público de Gianni Infantino. Em março de 2023, na 73ª reunião do Conselho da Fifa, em Kigali, Ruanda, o presidente da entidade disse que esperava “distribuir premiação igual para o torneio feminino até 2027”.

No Brasil, a equiparação já avançou no plano legal. Em maio, o país aprovou a Lei Geral da Copa Feminina, que define as responsabilidades do governo e da Fifa na realização do Mundial. Em setembro, o governo federal sancionou a lei do futebol feminino, que prevê igualdade salarial, e anunciou cerca de R$ 1 bilhão para a organização da Copa.