A Fifa elevou o volume total de repasses financeiros para a Copa do Mundo de 2026, levando os pagamentos a quase US$ 900 milhões — o equivalente a R$ 4,35 bilhões. O reajuste foi anunciado nesta terça-feira (28), véspera do Congresso da entidade em Vancouver, no Canadá.
A decisão responde a queixas de federações-membro que alertaram para o risco de prejuízo financeiro ao participar do torneio, diante dos elevados custos de viagem, impostos e despesas operacionais exigidos pela sede tripartite na América do Norte.
O novo total de distribuições chega a US$ 871 milhões (R$ 4,35 bilhões), ante os US$ 727 milhões (R$ 3,63 bilhões) divulgados em dezembro do ano passado — um acréscimo de quase US$ 144 milhões em apenas quatro meses.
Um dos principais ajustes envolve a verba de preparação: cada uma das 48 seleções classificadas passará a receber US$ 2,5 milhões (R$ 12,5 milhões) para cobrir custos pré-torneio, o dobro dos US$ 1,5 milhão (R$ 7,5 milhões) originalmente previstos.
O pagamento pela classificação para a Copa também foi revisto. As seleções agora receberão US$ 10 milhões (R$ 50 milhões) como cota de participação, contra os US$ 9 milhões (R$ 45 milhões) do anúncio anterior. O pacote contempla ainda contribuições adicionais para outros custos de delegação e uma ampliação na cota de ingressos destinada a cada equipe.
A revisão foi motivada por queixas de diversas federações-membro, que alertaram a Fifa para o risco de saírem no vermelho pela participação no torneio. Os altos custos de viagem, impostos locais e despesas operacionais associados à co-sede entre Canadá, México e Estados Unidos foram os principais vetores de pressão sobre a entidade.
O anúncio foi feito durante reunião do Conselho da Fifa que precedeu o Congresso da organização, marcado para quinta-feira (30), também em Vancouver.
Maior Mundial da história e bilhões em jogo
A Copa de 2026 será disputada entre 11 de junho e 19 de julho no Canadá, no México e nos Estados Unidos, com 48 seleções — a primeira edição no formato ampliado. A Fifa projeta arrecadar cerca de US$ 13 bilhões (R$ 65 bilhões) ao longo do ciclo quadrienal encerrado com o torneio, o que coloca os US$ 871 milhões em distribuições na casa de 7% da receita total esperada.
A premiação por desempenho esportivo, anunciada no ano passado, já havia representado alta de 50% em relação ao Catar 2022. O campeão embolsará US$ 50 milhões (R$ 250 milhões); o vice-campeão, US$ 33 milhões (R$ 165 milhões). O terceiro colocado receberá US$ 29 milhões (R$ 145 milhões) e o quarto lugar, US$ 27 milhões (R$ 135 milhões).
Em comunicado, a entidade defendeu o reajuste como parte da política de reinvestimento no futebol global: “Este é mais um exemplo de como os recursos da Fifa são reinvestidos no futebol”, diz o texto oficial.
O movimento evidencia a pressão crescente de federações menores — com orçamentos mais enxutos e rotas mais longas a cumprir — sobre a governança do futebol mundial, especialmente quando o torneio ocorre distante de grande parte das seleções participantes.
