Política

PGR tem 10 dias para opinar sobre nova revisão criminal de Bolsonaro no STF

Defesa aponta falhas na cadeia de custódia de provas digitais, mas parecer técnico anexado não fala em adulteração
Fachadas do STF e da PGR em Brasília simbolizam a nova revisão criminal Bolsonaro PGR e o prazo de 10 dias para parecer

O ministro Kassio Nunes Marques, do STF, deu nesta quarta-feira (28) prazo de 10 dias para que a Procuradoria-Geral da República se manifeste sobre o segundo pedido de revisão criminal do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A defesa tenta anular a condenação de 27 anos e três meses na trama golpista e aposta agora em um parecer técnico apresentado como “prova nova”.

Segundo os advogados, o documento aponta problemas na cadeia de custódia e limites para conferir parte das provas digitais usadas no processo.

O que diz o parecer apresentado pela defesa

O novo pedido foi protocolado em 25 de setembro. O parecer anexado não sustenta que as provas tenham sido adulteradas: o argumento é que, em parte do material examinado, não foi possível verificar por completo a origem e o processamento dos dados.

A cadeia de custódia reúne os procedimentos que registram o percurso de uma prova, da obtenção ao uso no processo. No caso de arquivos digitais, é o que permite checar de onde vieram e se continuam íntegros.

A comparação com o caso Vorcaro

Os advogados também recorrem a manifestações recentes de ministros do Supremo sobre o acesso à íntegra de provas digitais. O exemplo citado é a discussão envolvendo Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master.

Segundo a defesa, naquele procedimento ministros pediram acesso a todo o material que embasou um relatório da Polícia Federal, enquanto uma solicitação semelhante dos advogados de Bolsonaro foi negada durante a ação penal.

Caberá agora à PGR avaliar se esses pontos justificam ou não reabrir a análise do caso.

Prazo menor que o do primeiro pedido

Esta é a segunda revisão criminal da defesa contra a condenação. No primeiro pedido, Nunes Marques concedeu à PGR 20 dias, o dobro do prazo previsto como regra no Código de Processo Penal, e justificou a ampliação pela complexidade do caso. Desta vez, aplicou o prazo padrão.

Em junho, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu que o STF rejeitasse a primeira revisão, por entender que não havia questões ou fatos novos capazes de derrubar a condenação.

O relator, que já votou contra quatro revisões criminais de condenados do 8 de janeiro, também havia indicado que só liberaria a revisão para julgamento depois do segundo turno e que pretende levá-la ao Plenário.

O que é a revisão criminal

O instrumento permite contestar uma condenação já definitiva em hipóteses previstas em lei, como o surgimento de novas provas. Não equivale a um novo julgamento e é considerado excepcional: serve para corrigir erros judiciários e exige elementos novos capazes de demonstrar a inocência do condenado.