Economia

Santa Catarina tem segundo foco de doença de Newcastle, agora em granja de Coronel Freitas

Novo caso surgiu na área sob emergência no Oeste catarinense; um terceiro foco foi confirmado em Nova Erechim. Vírus em pombos não conta como foco
Galpão de granja avícola com galinhas em gaiolas, ilustrando o segundo foco de doença de Newcastle Santa Catarina

O Ministério da Agricultura e Pecuária confirmou um segundo foco da doença de Newcastle em Santa Catarina. Desta vez, a doença apareceu em uma granja avícola de Coronel Freitas, no Oeste do estado. O anúncio foi feito na segunda-feira (26).

O caso foi detectado pela vigilância reforçada dentro da área de emergência sanitária criada após o primeiro registro. Por isso, o perímetro de restrição precisou apenas de um pequeno ajuste.

O que está sendo feito na granja afetada

Com a confirmação, o Serviço Veterinário Oficial acionou os protocolos de resposta a emergências zoossanitárias. Estão em andamento a investigação epidemiológica, a vigilância, a contenção da doença e o despovoamento sanitário das aves da propriedade.

O perímetro de restrição, redesenhado após o novo caso, segue sob monitoramento. Segundo o ministério, o trabalho é feito em conjunto com os órgãos estaduais de defesa agropecuária, com o objetivo de controlar os focos e proteger a avicultura nacional.

Segundo a Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), entre 20 e 26 de outubro foram vistoriadas 133 propriedades comerciais e 551 de subsistência. A operação mantém quatro barreiras sanitárias ativas, com fiscalização e desinfecção de veículos.

Como o surto começou

O primeiro foco foi confirmado em 18 de outubro, em uma granja comercial de perus de corte em Nova Itaberaba. As aves não apresentavam sintomas, e os 6 mil animais foram abatidos e enterrados.

Logo depois, a Portaria Mapa nº 962 de 2026 declarou emergência zoossanitária por 60 dias em quatro municípios vizinhos: Nova Itaberaba, Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim. A medida reforçou a vigilância e o controle sanitário na região, e foi justamente esse monitoramento que encontrou o novo caso.

Como desdobramento, na quarta-feira (28) o estado confirmou um terceiro foco, em uma granja com 9.600 aves em Nova Erechim, também dentro da área de emergência. Assim como nos dois registros anteriores, as aves não apresentavam sintomas, segundo a Cidasc. Com a nova confirmação, o raio de vigilância das equipes foi ampliado em cerca de 9,5 quilômetros.

Vírus em pombos não conta como foco

O Serviço Veterinário Oficial também confirmou infecção pelo paramixovírus aviário tipo 1 (PPMV-1) em pombos fora da área de emergência sanitária. Essa ocorrência não tem relação epidemiológica com os casos em aves comerciais.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), a detecção do vírus em pombos não configura foco de doença de Newcastle.

Peso comercial do caso

O impacto do surto vai além das granjas. Depois do primeiro foco, o México suspendeu as importações de carne de frango e de outros produtos avícolas do Brasil, o que mostra o tamanho do risco para o setor.

Segundo apuração do g1, além do México, apenas o Uruguai suspendeu totalmente a compra da carne de aves brasileira. Outros países aplicaram embargo somente à carne de Santa Catarina ou da região do foco.

A doença de Newcastle é uma enfermidade viral que atinge aves domésticas e silvestres e pode ser letal para os animais. Em humanos, causa no máximo uma conjuntivite transitória, de cerca de uma semana, e a transmissão ocorre pelo contato, não pelo consumo da carne.

As informações sobre as investigações e os casos confirmados podem ser consultadas no painel público de acompanhamento do ministério.