Meio ambiente

Reeleição de Lula anima ambientalistas, que alertam para um Congresso hostil à pauta verde

Greenpeace, WWF-Brasil e Observatório do Clima comemoram o quarto mandato, mas dizem que o clima e o meio ambiente ainda não estão a salvo
Congresso Nacional com vegetação em primeiro plano, simbolizando a reeleição de Lula e o meio ambiente

Organizações socioambientais como Greenpeace Brasil, WWF-Brasil e Observatório do Clima comemoraram a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), confirmada neste domingo (25). Junto com a comemoração, fizeram um alerta: o Congresso que toma posse em 2027 ameaça a agenda ambiental.

O petista virou o resultado do 1º turno, venceu Flávio Bolsonaro (PL) e chega ao quarto mandato. As entidades citam a queda do desmatamento e o combate à crise climática como motivos para celebrar e pedem mobilização da sociedade contra retrocessos.

Novo Congresso preocupa ambientalistas

Nas manifestações reunidas pelo ((o))eco, o Observatório do Clima (OC) disse que a vitória de Lula “evita tragédia”, mas avisou que clima e meio ambiente “ainda não estão a salvo”. A rede lembrou o papel do Legislativo na aprovação da nova lei de agrotóxicos, no avanço da tese do Marco Temporal e no enfraquecimento do licenciamento ambiental.

“Para os próximos quatro anos, este cenário piorou: sete em cada dez deputados e senadores que vão compor a próxima Legislatura votam contra a agenda de clima e meio ambiente. É fundamental que o Executivo reforce sua atuação no Parlamento e amplie alianças”, afirma o texto do OC.

Os números sustentam o alerta. Segundo levantamento publicado após o 1º turno, a bancada do PL na Câmara passou de 98 para 121 deputados, e 68,9% dos parlamentares eleitos têm baixa convergência com a agenda ambiental.

O peso dos vetos

O presidente pode vetar projetos aprovados pelo Congresso, mas os parlamentares derrubam o veto presidencial com maioria absoluta: pelo menos 257 votos na Câmara dos Deputados e 41 no Senado. Sozinho, o PL, partido de Flávio Bolsonaro, terá 121 deputados federais e 29 senadores.

Essa queda de braço já apareceu no mandato atual. Em 2025, Lula hesitou sobre vetos ao projeto que flexibiliza o licenciamento ambiental, chamado por ambientalistas de “PL da devastação”.

Desmatamento em baixa foi bandeira de campanha

Lula usou a agenda ambiental como uma das bandeiras na disputa e se apoiou em resultados como o menor patamar de desmatamento da Amazônia, registrado em 2026. Do outro lado, Flávio Bolsonaro carrega um histórico de ações antiambientais e o legado do desmonte promovido no governo do pai.

Lideranças socioambientais e indígenas, como Ailton Krenak, declararam apoio ao petista, que também teve a seu lado a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva. Nas urnas da região, o resultado ficou dividido: Lula venceu no Amazonas, no Amapá e no Pará, enquanto estados com forte presença do agronegócio preferiram Flávio.

Pedido de mobilização

Para a diretora executiva do Greenpeace Brasil, Carolina Pasquali, a reeleição “importa para o mundo todo”, porque fortalece regimes democráticos e mantém o compromisso com uma Amazônia protegida. Ela diz que a mobilização dos jovens e das ruas “se fará necessária nos próximos quatro anos” diante de um Congresso com “negacionistas e antiambientalistas”.

Em nota, o WWF-Brasil afirmou que a vitória “abre uma oportunidade para fortalecer a agenda socioambiental” e prevê que a próxima legislatura vai ampliar a influência de setores favoráveis à flexibilização das regras ambientais. Por isso, segundo a entidade, o engajamento da sociedade civil será ainda mais necessário.