Luiz Inácio Lula da Silva fez um apelo para que os líderes dos países amazônicos estejam presentes na COP30, que ocorrerá em Belém, Pará, em 2025.
O presidente destacou a importância da presença dos países da região para o sucesso do evento, enquanto enfrenta pressão internacional sobre os altos preços de hospedagem e baixa adesão de delegações.
Convite pessoal e expectativas para a COP30
Durante declaração à imprensa ao final da Cúpula dos Países Amazônicos, realizada em Bogotá, Lula enfatizou que espera a presença de todos os líderes dos países amazônicos na COP30, marcada para novembro em Belém. O presidente afirmou estar enviando convites individuais e cartas pessoais a cada chefe de Estado, reforçando que o evento será ‘a COP da verdade’.
Além do Brasil e da Colômbia, representantes da Bolívia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela também participam da iniciativa. Lula ressaltou que a região amazônica é fundamental para o equilíbrio climático global e que a cooperação entre os países é essencial para a preservação do bioma.
Segundo Lula, a conferência será uma oportunidade para mostrar ao mundo os esforços dos países amazônicos na proteção da floresta e na promoção do desenvolvimento sustentável, valorizando as populações tradicionais.
Responsabilidade dos países ricos
Lula destacou a necessidade de cobrar compromissos dos países desenvolvidos, afirmando: “As pessoas vão ter que assumir responsabilidade sobre se acreditam, ou não, no que a ciência está nos dizendo… E vai ser o momento para dizer aos países ricos que está na hora de cumprirem compromissos firmados ao longo das várias COPs”.
O presidente também criticou o uso da luta contra o desmatamento como justificativa para medidas protecionistas e o combate ao crime organizado como pretexto para violar a soberania de países menos desenvolvidos.
Desafios logísticos e pressão internacional
O apelo de Lula ocorre em meio a questionamentos sobre o alto preço das hospedagens em Belém, que afeta a confirmação de delegações estrangeiras. Até o momento, apenas 47 dos 196 países previstos confirmaram presença na COP30.
Faltando 80 dias para o início do evento, o Brasil e a Organização das Nações Unidas (ONU) discutem alternativas para aumentar a participação de países em desenvolvimento, incluindo possíveis subsídios para hospedagem. O governo brasileiro, no entanto, recusou a proposta da ONU para custear parte das despesas com recursos próprios.
Segundo a Casa Civil e a Secretaria Extraordinária para a COP30 (Secop), continua a demanda para que a ONU aumente o subsídio de diárias em Belém. O governo brasileiro informou que fará uma força-tarefa para acelerar confirmações, com um grupo técnico dedicado a identificar e solucionar as principais dificuldades das delegações.
No mês passado, uma carta de países pressionou o Brasil por soluções diante do custo elevado das hospedagens. O governo busca alternativas sem recorrer a recursos públicos, enquanto esclarece as condições atuais e responde aos pedidos das delegações.