A campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição já soma R$ 127,2 milhões em receitas. O valor supera os R$ 105,8 milhões declarados por Flávio Bolsonaro (PL), seu adversário na disputa pela Presidência em 2026.
Os números constam do DivulgaCand, sistema de divulgação de candidaturas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e incluem doações de pessoas físicas e repasses do Fundo Eleitoral e do Fundo Partidário. A consulta foi feita na quinta-feira (22).
Arrecadação de campanha de Lula e Flávio por turno
A vantagem do petista vem desde o início da corrida. Até o primeiro turno, em 4 de outubro, Lula havia recebido R$ 87,6 milhões, contra R$ 68,7 milhões de Flávio. Na reta do segundo turno, a diferença diminuiu: desde 5 de outubro, entraram R$ 39,6 milhões na conta do PT e R$ 37,1 milhões na do PL.
Partido banca quase tudo na campanha petista
Praticamente toda a receita de Lula saiu do próprio partido. O PT transferiu R$ 124,1 milhões à candidatura, sendo R$ 123,8 milhões do Fundo Eleitoral (97,3% do total arrecadado) e R$ 341,8 mil do Fundo Partidário. Em julho, o Diretório Nacional do PT já havia reservado R$ 127 milhões do Fundo Eleitoral para a reeleição de Lula, montante que agora se reflete nos registros do TSE.
O restante veio de financiamento coletivo, que rendeu R$ 1,1 milhão, e de apoiadores individuais. O maior doador individual é Erasmo Carlos Battistella, CEO da Be8, empresa do setor de biodiesel e integrante do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável do governo federal, o Conselhão. Ele destinou R$ 500 mil ao petista e repassou a mesma quantia a Flávio Bolsonaro.
Entre os demais doadores de Lula aparecem Pedro Pereira de Freitas, presidente da American Life Companhia de Seguros e ex-presidente da Caixa Seguradora (R$ 90 mil), e o advogado Marco Aurélio de Carvalho, fundador do grupo Prerrogativas (R$ 50 mil). Diretores da Transpetro, subsidiária da Petrobras, também contribuíram: Jones Alexandre Barros Soares (R$ 40 mil) e Danilo Ferreira da Silva (R$ 30 mil).
A lista inclui ainda integrantes do governo: os ministros Miriam Belchior (Casa Civil), com R$ 27.955,09, Alexandre Padilha (Saúde), com R$ 25 mil, Luiz Marinho (Trabalho e Emprego), com R$ 24 mil, e Esther Dweck (Gestão e Inovação), com R$ 20 mil, além do presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, que doou R$ 20 mil.
Agronegócio aparece entre os doadores de Flávio
No caso de Flávio, o PL repassou R$ 68,1 milhões: R$ 47 milhões do Fundo Eleitoral, R$ 13,7 milhões do Fundo Partidário e R$ 7,4 milhões em doações para a campanha. Segundo levantamento do Poder360, 4 dos 10 maiores doadores individuais do candidato têm ligação com o agronegócio.
O principal deles é o empresário Eloi Vitorio Marchett, que atua no cultivo de soja e na pecuária bovina. Ele fez duas contribuições de R$ 1 milhão cada, somando R$ 2 milhões. Na sequência aparecem o fazendeiro e pecuarista Wilson Francisco Rotta, com R$ 1,8 milhão, e Nelson José Vigolo, dono do grupo Bom Jesus Agropecuária, com R$ 1,1 milhão. Alexandre Grendene Bartelle, cofundador da fabricante de calçados Grendene, doou R$ 1 milhão.
O peso do setor não se limita ao lado de Flávio: o g1 também destacou que o topo do ranking de doadores de Lula é ocupado por um nome do agro, Battistella. A legislação eleitoral proíbe doações de empresas, e só contribuições de pessoas físicas, dentro dos limites legais, são permitidas.
Teto de gastos e divisão do fundo público
Os valores ficam dentro dos limites fixados pelo TSE. Em 1º de julho, a Corte decidiu manter os tetos de gastos para as candidaturas de 2026, atendendo a um pedido de presidentes de partidos. Cada candidato a presidente pode gastar até R$ 88.944.030,80 no primeiro turno e mais R$ 44.472.015,40 no segundo.
Os 30 partidos dividiram R$ 4,9 bilhões do Fundo Eleitoral neste ano, a mesma quantia reservada em 2022. O PL ficou com a maior fatia, R$ 881,7 milhões, seguido pelo PT, com R$ 615 milhões. A vantagem do PL, que triplicou sua fatia em relação a 2022, já estava definida desde junho, quando o TSE fez a partilha entre as legendas.
Como funciona a prestação de contas
As campanhas são financiadas principalmente com dinheiro público, por meio dos fundos Eleitoral e Partidário, abastecidos pelos impostos. A lei também permite doações de pessoas físicas, uso de recursos próprios dos candidatos, transferências partidárias e receitas com venda de bens e eventos.
As doações devem ser comunicadas à Justiça Eleitoral em até 72 horas após o recebimento, e o DivulgaCand é atualizado a cada hora. Os dados, portanto, ainda são parciais e podem mudar: o prazo para a prestação de contas das campanhas que foram ao segundo turno termina em 14 de novembro.
A proximidade do setor agropecuário com as duas candidaturas também aparece nos programas de governo. Segundo o g1, Lula propõe fortalecer o crédito rural e apoiar a agroecologia, enquanto Flávio defende ampliar a conectividade no campo e acelerar a regularização fundiária de pequenas propriedades. Entidades do setor também apresentaram demandas: a CNA cobra controle de gastos públicos para reduzir os juros que pesam sobre os produtores, e a Abag propõe uma agenda para atrair capital privado e acelerar a transição tecnológica.