Com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tendo distribuído R$ 4,9 bilhões entre 30 partidos para as eleições de outubro, a corrida para definir como gastar esse dinheiro já começou.
Os dados de 2022 oferecem o mapa mais confiável das prioridades: produção para rádio e TV liderou os gastos presidenciais com R$ 81,3 milhões, seguida pelo impulsionamento digital com R$ 67,3 milhões.
A novidade deste ciclo é a inteligência artificial — e o desafio não está no custo da tecnologia, mas em contratar profissionais especializados para usá-la.
O rastro do dinheiro em 2022
Os candidatos à Presidência declararam R$ 336,7 milhões em despesas nas últimas eleições gerais. Desse total, R$ 244,9 milhões vieram de recursos públicos — 72,7% do bolo. Os outros R$ 91,8 milhões foram financiados por doadores privados.
A produção de conteúdo para rádio e televisão concentrou R$ 81,3 milhões, tornando-se a maior rubrica individual. O impulsionamento pago em plataformas digitais veio logo atrás: R$ 67,3 milhões, com Jair Bolsonaro (PL) respondendo por R$ 33 milhões e Lula (PT) por R$ 25 milhões.
No front digital, o Google dominou a lista de fornecedores com R$ 55,7 milhões recebidos das campanhas presidenciais. O Facebook apareceu em sétimo lugar, com R$ 8,7 milhões.
Quem recebe mais — e o que pretende fazer
A concentração de verbas entre os maiores partidos é expressiva. O PL liderou com R$ 881,7 milhões, seguido pelo PT (R$ 615,4 mi) e pelo União Brasil (R$ 526,2 mi) — juntos, os três absorvem cerca de 40% de toda a verba pública disponível para a campanha.
O PT determinou como uso prioritário a reeleição de Lula, com a destinação do maior valor possível para a campanha presidencial. Os critérios de repasse para senadores, deputados federais, governadores e parlamentares estaduais ainda não foram definidos pela legenda.
Na outra ponta, o Missão — partido mais jovem registrado no TSE — recebe a cota mínima de 2%: R$ 3,3 milhões. Para bancar as viagens de seu candidato à presidência, Renan Santos, o partido organizou uma vaquinha que já arrecadou mais de R$ 1 milhão com 17 mil doadores.
A IA como variável imprevisível
A inteligência artificial entra neste ciclo eleitoral como força disruptiva. O marco regulatório já está em vigor: em maio, o TSE aprovou resolução que obriga a rotulagem de conteúdos gerados com IA e proíbe a circulação desse material nas 72 horas anteriores ao voto.
Para dar conta da complexidade tecnológica, o TSE criou uma comissão permanente para padronizar a contratação e o desenvolvimento de ferramentas de IA em toda a Justiça Eleitoral.
A advogada eleitoral Gabriela Rollemberg avalia que a IA será um dos maiores desafios dessas eleições, especialmente pela velocidade com que as ferramentas evoluíram nos últimos anos.
Para Alexandre Bissoli, membro da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político (Abradep), o custo real não está na ferramenta, mas nos especialistas. As campanhas precisarão de profissionais capazes de fazer a microsegmentação do conteúdo — produzindo mensagens distintas para grupos de interesse específicos, em escala, em vez de uma única peça publicitária para ir ao ar no rádio ou na TV.
