O Partido Liberal de Flávio Bolsonaro vai receber R$ 881,6 milhões do Fundo Eleitoral em 2026 — o triplo do montante obtido em 2022. O crescimento reflete a expansão da bancada do PL na Câmara, critério central na divisão dos R$ 4,96 bilhões distribuídos pelo TSE.
Logo atrás, o PT do presidente Lula, que tenta a reeleição, ficou com R$ 615,3 milhões, alta de 23% frente ao pleito anterior. Juntos, os dois partidos vão absorver mais de 30% de todo o Fundo Eleitoral de 2026.
Como o dinheiro é dividido
Criado em 2017, após o Supremo Tribunal Federal proibir doações de empresas para campanhas eleitorais, o Fundo Eleitoral tornou-se o principal mecanismo de financiamento público das disputas políticas no país. Os recursos são liberados apenas em anos eleitorais e seu valor é definido pela Lei Orçamentária Anual.
A divisão segue quatro critérios que favorecem partidos com maior representação parlamentar: percentual de votos na última eleição para a Câmara, número de deputados federais, número de senadores e uma cota mínima de 2% distribuída igualmente entre todos os registrados no TSE. Para o professor de Direito Eleitoral Bruno Lorencini, o modelo fortalece as maiores siglas, que passam a contar com mais recursos para investir em viagens, equipes e capilaridade eleitoral.
Concentração no topo e perdas na base
Seis partidos — PL, PT e mais quatro legendas com bancadas expressivas — vão concentrar 65% do fundo, deixando os 35% restantes para outras 24 siglas.
Quem mais perdeu foi o Agir: em 2022, o partido recebeu R$ 23 milhões; para 2026, ficará apenas com a cota mínima de 2%, compartilhada igualmente com todos os registrados no TSE. O União Brasil também recua: liderava a distribuição em 2022, com R$ 776 milhões (16% do total), e agora cai para terceiro lugar. Ao todo, 12 legendas perderam participação percentual entre os dois pleitos.
O domínio financeiro do PL e do PT se reflete também nos tribunais: desde janeiro, as duas siglas respondem por 47 das 59 representações eleitorais protocoladas no TSE — quatro vezes mais do que no mesmo período de 2022. Leia mais sobre o domínio do PL e PT no fundo eleitoral 2026.
Mapa partidário em transformação
Entre 2022 e 2026, quatro partidos deixaram de existir após fusões e incorporações, enquanto duas legendas trocaram de nome. O redesenho afeta diretamente o rateio, já que as bancadas herdadas pelas siglas resultantes alteram os pesos na distribuição.
Dez partidos sem representação na Câmara nem no Senado terão acesso apenas à cota mínima de 2% — a mesma fatia dividida igualmente entre todos os registrados no TSE, independentemente de tamanho ou histórico eleitoral. A lacuna entre grandes e pequenos se amplia a cada ciclo.
Com as fatias definidas, a disputa já passou para o ‘como gastar’: em 2022, a produção para TV e rádio consumiu R$ 81,3 milhões das campanhas presidenciais, enquanto o impulsionamento digital ficou logo atrás, com R$ 67,3 milhões. Veja como os partidos planejam gastar o fundo eleitoral em 2026.
