Política

Flávio Bolsonaro promete acabar com “entraves ambientais” e liberar uso da terra no Pará

Em Marabá, no Arco do Desmatamento, candidato do PL acena a ruralistas e promete a maior regularização fundiária da história do estado
Floresta amazônica vista do alto com a bandeira do Pará, simbolizando Flávio Bolsonaro entraves ambientais Pará

O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) prometeu nesta segunda-feira (19), em Marabá, no Pará, acabar com os “entraves ambientais” caso seja eleito. Segundo ele, essas barreiras existem “principalmente por razões ideológicas”.

O anúncio foi feito em cima de um trio elétrico, durante uma motocarreata no sudeste paraense, região sobreposta ao chamado Arco do Desmatamento. Flávio disse que o proprietário rural poderá fazer “o que quiser na sua terra”.

O que o candidato prometeu

No discurso, que foi rápido, Flávio ligou o fim das restrições ambientais a uma ampla titulação de terras: “Eu vou fazer a maior regularização fundiária que o Pará já viu. Sua terra vai ser sua no papel. Vamos respeitar a propriedade privada, você vai poder plantar, criar gado, vai fazer o que quiser na sua terra e o que você explorar da terra é seu! Esses entraves que existem, ambientais, principalmente por razões ideológicas, isso vai acabar”.

A promessa não é nova. Em junho, em Belém, Flávio já havia defendido flexibilizar licenças ambientais para abrir espaço ao agronegócio e à mineração no Pará.

Reserva Legal na mira

Como mostrou reportagem de Duda Menegassi no ((o))eco, a fala acena a ruralistas interessados no fim de mecanismos centrais do Código Florestal, como a Reserva Legal. Na Amazônia, a regra obriga proprietários rurais a manter 80% do imóvel coberto por vegetação nativa do bioma.

O tema já aparece na trajetória do senador. Em 2019, Flávio apresentou no Senado uma proposta para acabar com a Reserva Legal. O texto foi duramente criticado e acabou arquivado no mesmo ano.

A agenda ambiental do candidato também vai além da propriedade privada: dias antes, em Mato Grosso, ele prometeu não demarcar terras indígenas e liberar lavouras e mineração nesses territórios.

Marabá, reduto do PL no Norte

O palco do anúncio tem peso político. Marabá tem se firmado como reduto do bolsonarismo na região Norte: em 2024, tornou-se o primeiro município paraense a eleger um prefeito do PL, Toni Cunha, que acompanhou Flávio na motocarreata.

Também esteve no ato o governador eleito Dr. Daniel (Podemos), que integrou uma coligação com o PL e derrotou Hana Ghassan (MDB), sucessora indicada por Helder Barbalho (MDB). O alinhamento se estende ao futuro governo estadual: Dr. Daniel escolheu para a Secretaria de Meio Ambiente um pecuarista que quer acabar com as multas da Operação Curupira.

No 1º turno da eleição presidencial, Flávio teve 54,42% dos votos em Marabá, contra 40,16% de Lula.

Histórico de desmatamento

O Pará está historicamente entre os estados que mais desmatam a Amazônia. Em 2008, Marabá foi o terceiro município que mais derrubou floresta no bioma, segundo o Inpe. Nos anos seguintes, a taxa de perda florestal caiu fortemente.

Na série histórica do Prodes, de 2008 a 2026, o município acumula 1.329,61 km² desmatados, o que o coloca na 22ª posição no período.

Depois de Marabá, a agenda de Flávio na Amazônia seguiu para Manaus (AM), onde a campanha continuou nesta segunda-feira.