Meio ambiente

Flávio Bolsonaro apresenta 7 propostas antiambientais, aponta estudo

Observatório do Clima aponta Lula à frente, com 16 propostas ambientais positivas
Propostas antiambientais de Flávio Bolsonaro contrastam com agenda ambiental de Lula, segundo estudo

O programa de governo de Flávio Bolsonaro (PL) traz sete propostas classificadas como antiambientais pelo Observatório do Clima (OC), que divulgou nesta quinta-feira (10) uma análise dos planos dos seis principais candidatos à Presidência.

O levantamento avaliou 28 temas ligados a clima e meio ambiente e identificou apenas uma medida positiva no programa do candidato, enquanto Lula lidera a lista com 16 propostas consideradas construtivas.

A avaliação do Observatório do Clima considerou os planos de governo apresentados à Justiça Eleitoral e a atuação política prévia dos candidatos, distribuídos em oito eixos: mudanças climáticas, energia, desmatamento, povos tradicionais, agronegócio sustentável, mineração e infraestrutura, governança ambiental e oceano.

Negação da crise climática

Segundo o OC, o programa de Flávio Bolsonaro não reconhece a existência de uma crise climática — posicionamento associado a declarações anteriores do candidato, que em 2024 chamou de “armadilha” relacionar as enchentes do Rio Grande do Sul às mudanças climáticas e reafirmou a posição em sabatina no Jornal Nacional, em agosto.

A postura é coerente com discursos recentes do candidato. Já em junho, antes mesmo de formalizar a candidatura, Flávio Bolsonaro havia defendido, em discurso no Pará, o afrouxamento de licenças ambientais para abrir espaço ao agronegócio e à mineração na Amazônia.

Em contraste, o programa de Lula é o único entre os seis analisados a mencionar o cumprimento da NDC brasileira e o Acordo de Paris, além de apresentar medidas de adaptação climática com ações e prazos definidos.

Outros candidatos também ficam devendo

O estudo do OC mostra lacunas nos programas dos demais concorrentes. Augusto Cury reconhece as mudanças climáticas mas não estrutura políticas para enfrentá-las; Renan Santos sequer menciona a agenda climática. Ronaldo Caiado propõe medidas de adaptação a desastres, mas ignora metas de redução de emissões e o Acordo de Paris.

Romeu Zema reconhece os eventos extremos, porém não detalha mecanismos de monitoramento — e o OC lembra que, como governador de Minas Gerais, promoveu corte de 96% nas verbas de prevenção a impactos das chuvas entre 2023 e 2025.

Para Suely Araujo, coordenadora de Políticas Públicas do Observatório do Clima, os planos dos demais candidatos são “todos muito mais fracos em relação à agenda ambiental, alguns absolutamente inaceitáveis”. Marcio Astrini, secretário executivo da entidade, classifica como lamentável que candidatos ignorem ou neguem as mudanças climáticas diante da repetição de tragédias como as cheias no Rio Grande do Sul e a seca na Amazônia.

As conclusões dialogam com o esforço do próprio governo federal na área: em março, o Executivo concluiu o Plano Clima com metas de emissões, documento citado pelo OC como referência para avaliar o compromisso climático dos candidatos. A entidade afirma ter encaminhado as análises às campanhas e se colocado à disposição para contribuir com o aprimoramento das propostas.

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