O Rio Grande do Sul recebeu cerca de R$ 467 milhões, ou 41% dos recursos federais que o governo Lula pagou entre 2023 e setembro de 2026 para recuperar infraestrutura danificada por desastres. No país inteiro, os pagamentos passaram de R$ 1,1 bilhão.
Os números vêm de um levantamento da Fiquem Sabendo. Pela Lei de Acesso à Informação (LAI), ela obteve a planilha de repasses da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec), ligada ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR).
Enchentes de 2024 explicam a maior parte da fatia gaúcha
Do valor que foi para o Rio Grande do Sul, R$ 326,5 milhões (cerca de 70%) pagaram a recuperação de estruturas atingidas pelas enchentes históricas de abril e maio de 2024.
Minas Gerais aparece em segundo lugar, com quase R$ 180 milhões, cerca de 16% do total nacional. O estado também teve chuvas intensas no fim de 2021 e no início de 2022, que danificaram a infraestrutura e exigiram obras de recuperação. Juntos, os dois estados ficaram com mais da metade dos valores pagos.
Chuva lidera entre os tipos de desastre
Em todo o país, as chuvas intensas responderam por 76% dos recursos pagos para reconstrução, segundo o levantamento. Em seguida vêm as enxurradas, ligadas a 5,5% dos repasses.
No Rio Grande do Sul, os valores já pagos são só uma parte da conta. No início do mês, o comitê do Firece aprovou critérios para aplicar outros R$ 6,7 bilhões em obras contra enchentes no estado, com execução prevista até 2031.
O que mostra a planilha da Defesa Civil
A base lista os estados e municípios que receberam recursos, os tipos de desastre, as obras financiadas e os valores pagos a cada ano. Também traz as datas das ocorrências, as portarias de transferência, os números de processos e as ordens bancárias.
O documento registra ainda os valores empenhados, cancelados e devolvidos. O total de R$ 1,1 bilhão considera apenas os recursos efetivamente pagos, não as reservas orçamentárias nem os valores que acabaram cancelados.
A reconstrução consome recursos, mas a prevenção avança mais devagar. Um levantamento recente mostrou que cidades sob risco de enchente captam 68% menos crédito por habitante para obras de resiliência.