As fortes chuvas voltaram a alagar lavouras no Rio Grande do Sul, deixando produtores rurais com prejuízos significativos. Agricultores relatam perdas de plantações, morte de peixes, colmeias e gado em diversas regiões do estado.
Mais de 140 municípios foram afetados, com 25 cidades em situação de emergência e Jaguari em estado de calamidade pública, segundo boletim do governo estadual.
Prejuízos e relatos dos agricultores
As enchentes recentes causaram alagamentos em áreas rurais, destruindo plantações e impactando a criação de animais. Fabiano André Kappaun, de Candelária, teve sua propriedade ilhada e precisou alugar uma casa temporária para a família. Ele estima um investimento de ao menos R$ 100 mil para recuperar o solo, mas não possui o valor necessário e depende de financiamento para retomar o cultivo de soja e arroz. Seu irmão perdeu 10 cabeças de gado, levadas pelas águas.
Em Rio Pardo, Jardel Luis Eisenhardt conseguiu salvar o rebanho, mas perdeu toda a pastagem: cerca de 80% dos 45 hectares ficaram submersos. Para alimentar os animais até a recuperação da pastagem, prevista apenas para novembro, ele terá um gasto extra de R$ 150 mil.
Já Daniela Fernanda Hermes, também de Rio Pardo, viu as chuvas destruírem o plantio de hortaliças e frutas e perder toda a criação de peixes, cerca de 200 kg, após o açude romper. O custo para reconstruir o açude ultrapassa R$ 4 mil, além do prejuízo com a produção perdida.
Em Unistalda, João Maciel Lunardi Cogo perdeu parte das 187 colmeias, com prejuízo estimado em R$ 60 mil, incluindo a estrutura de produção de mel. Ele calcula que serão necessários de 2 a 3 anos para recuperar as perdas.
Impactos ambientais e econômicos
Além do impacto financeiro, as enchentes provocaram desequilíbrios ambientais, como contaminação de corpos d’água e morte de espécies aquáticas. Autoridades e agricultores buscam soluções para minimizar os danos e evitar novos episódios semelhantes.
Medidas emergenciais e apoio
O governo estadual anunciou medidas emergenciais, incluindo apoio financeiro e assistência técnica aos produtores afetados. Organizações locais também atuam para recuperar áreas atingidas e proteger recursos naturais.
Mais de 7 mil pessoas estão desabrigadas no estado. O boletim do governo do RS, divulgado na segunda-feira (24), confirma a extensão dos danos: 140 municípios afetados, 25 cidades em situação de emergência e Jaguari em estado de calamidade pública.
Produtores relatam que, pelo segundo ano consecutivo, enfrentam perdas causadas por chuvas intensas, agravando a sensação de insegurança e instabilidade no campo. “Ano passado foi 10 vezes pior. Ainda tem coisas do ano passado que tá para consertar. Perdemos tudo”, desabafa Fabiano André Kappaun.
Os prejuízos se acumulam e a recuperação é lenta, com agricultores preocupados com a instabilidade climática e a dificuldade de acesso a recursos para reconstrução.