Economia

Exportações do Brasil crescem 30% com acordo Mercosul-UE, afirma ministro

Comércio entre os dois blocos avançou US$ 6 bilhões em cinco meses, diz o Itamaraty; carnes seguem presas a cotas
Mauro Vieira diante da bandeira do Brasil, simbolizando exportações brasileiras acordo Mercosul-UE

As exportações brasileiras cresceram 30% desde 1º de maio, quando o acordo entre o Mercosul e a União Europeia passou a valer de forma provisória, afirmou nesta terça-feira (13) o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa.

No acumulado de 2026, a alta das vendas externas do país chega a 10,4%, segundo o ministro. O tratado entrou em vigor após cerca de 27 anos de negociação entre os dois blocos.

Os números foram apresentados em falas publicadas pelo g1. Para Elias Rosa, o avanço do comércio exterior brasileiro não está concentrado no agronegócio: o país registra recordes de corrente de comércio com praticamente todos os destinos, e o conjunto das trocas cresceu, em média, 10,5%.

Itamaraty fala em US$ 6 bilhões a mais

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, quantificou o efeito no fluxo entre Mercosul e União Europeia. “O comércio bilateral cresceu um pouco mais de 6 bilhões de dólares. Isso, a partir de maio até agora, mostra a perspectiva que existe para o futuro”, declarou.

O percentual de 30% diz respeito às vendas ao bloco europeu. Segundo dados divulgados por Elias Rosa durante evento em Brasília, as exportações brasileiras para a União Europeia subiram 30,7% entre maio e setembro, na comparação com o mesmo período de 2025. De janeiro a setembro, as vendas ao bloco somaram US$ 44,17 bilhões, alta de 20% em relação aos nove primeiros meses do ano passado.

O ritmo apresentado pelos ministros supera o que se desenhava na largada: a ApexBrasil projetava ganho de até US$ 1 bilhão em exportações no primeiro ano de vigência, estimativa agora confrontada com o balanço oficial dos cinco primeiros meses.

Elias Rosa atribuiu o resultado tanto aos investimentos das empresas quanto à atuação do governo na abertura de mercados. Ele classificou o cenário internacional como desafiador, diante de barreiras tarifárias e não tarifárias, e disse que o Brasil continuará buscando diálogo e negociação com os Estados Unidos, relação que descreveu como “delicada”.

Quem já tem taxa zero e quem depende de cota

O acordo estabelece uma zona de livre comércio com redução e eliminação progressiva de tarifas aduaneiras. Parte dos produtos ficou isenta de imediato; outra parte segue cronogramas de corte gradual.

Agro: 77% dos itens com tarifa eliminada

No setor agropecuário, o tratado elimina as tarifas de importação de 77% dos produtos que a União Europeia compra do Mercosul, em prazos que variam de quatro a dez anos, a depender do item.

Entre os que passaram a entrar sem imposto estão frutas, sucos, peixes, crustáceos, óleos vegetais e café solúvel e moído — o café em grão já era isento. Desde a vigência provisória, em 1º de maio, esses itens saíram na frente, o que ajuda a explicar quais frentes puxam o avanço agora.

Carnes com limite de volume

Carne bovina, de frango e de porco têm redução de imposto condicionada a cotas de exportação. São tratadas como produtos sensíveis pelos europeus, porque competem diretamente com a produção local.

Governo diz ter aberto 700 mercados para o agro desde 2023

Os resultados comerciais foram anunciados em cerimônia no Ministério da Agricultura e Pecuária que, segundo a Agência Brasil, celebrou a abertura de 700 mercados internacionais para produtos agropecuários brasileiros desde o início de 2023. As aberturas ocorreram em 99 destinos, entre países e blocos econômicos, após autorizações sanitárias para a entrada dos produtos. O ministro da Agricultura, André de Paula, comparou o número com o da gestão anterior: “Foram 700 aberturas de mercado contra 241 do governo anterior”.

Segundo estimativa da ApexBrasil, o país exportou US$ 5,8 bilhões para os novos mercados abertos desde 2023, e a projeção da agência é que as vendas a esses destinos alcancem US$ 80 bilhões nos próximos quatro anos. De Paula disse que o Brasil exportou US$ 169 bilhões no acumulado do ano, US$ 2 bilhões abaixo dos Estados Unidos, mas que deve terminar 2026 como o maior exportador mundial de alimentos. O ministro também afirmou que a safra 2026/27 deve chegar a 366 milhões de toneladas.