Economia

Parlamentares europeus chegam ao Brasil para acelerar acordo com Mercosul

Missão visitou Alckmin, Hugo Motta e ministérios em Brasília e propôs grupo de trabalho para acompanhar implementação do tratado
Negociações de implementação acordo Mercosul UE 2026 com protagonismo da liderança brasileira em Brasília

Menos de duas semanas após o acordo UE-Mercosul entrar em vigor de forma provisória, uma delegação do Parlamento Europeu chegou a Brasília com um objetivo claro: transformar o tratado em resultados concretos antes que a política dos dois lados encontre argumentos para travá-lo.

O grupo, liderado pelo deputado português Hélder Sousa, se reuniu com o vice-presidente Geraldo Alckmin, o presidente da Câmara Hugo Motta e representantes de ministérios e do Congresso Nacional.

A visita é a primeira desde que o acordo entrou em vigor no dia 1º de maio, após 25 anos de negociação entre os blocos.

Agenda densa e grupo de trabalho conjunto

Em Brasília, a missão europeia cumpriu uma agenda intensa. Além de Alckmin e Hugo Motta, os parlamentares se reuniram com os presidentes das comissões de Relações Exteriores da Câmara e do Senado, além de representantes dos ministérios do Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia, Desenvolvimento e Comércio Exterior, e do Itamaraty.

O resultado de maior alcance prático foi a reunião interparlamentar entre Brasil e União Europeia, que produziu a decisão de criar um grupo de trabalho conjunto para monitorar a implementação do tratado e resolver entraves antes que se transformem em impasses diplomáticos.

Hélder Sousa afirmou que o acordo prevê a redução de tarifas em cerca de 91% dos produtos comercializados entre os blocos, com impactos distribuídos ao longo de até 15 anos, dependendo do setor. “Os efeitos econômicos serão graduais”, admitiu — mas o objetivo da missão é mostrar avanços já nos primeiros meses para reduzir críticas políticas e econômicas de ambos os lados.

Apesar da vigência provisória desde 1º de maio, o texto ainda precisa ser aprovado formalmente pelo Parlamento Europeu, que decidiu submeter o acordo ao Tribunal de Justiça da UE para análise jurídica. O processo pode levar de um ano e meio a dois anos. A resistência tem raízes formais: a Polônia acionou o Tribunal de Justiça da UE em abril para tentar barrar o acordo, uma das pressões que a missão europeia quer neutralizar com resultados práticos. Sousa minimizou o risco: “Já temos outros acordos em vigor nesse regime transitório. Isso não nos preocupa.”

Agronegócio na linha de frente dos ganhos

Um dos setores com mais a ganhar é o agronegócio brasileiro, alvo histórico de resistência dos produtores europeus. O acordo elimina as tarifas de importação de 77% dos produtos agropecuários que a União Europeia compra do Mercosul, com prazos de redução que variam de quatro a dez anos por produto.

Passam a ter taxa zero itens como frutas, sucos, peixes, crustáceos, óleos vegetais e café solúvel e moído. No setor de sucos de laranja, as tarifas chegavam a 33,6% — o segmento estima uma economia tarifária de US$ 250 milhões nos primeiros cinco anos, um dos casos que a delegação europeia quer usar como vitrine do tratado. Já carne bovina, frango e porco, considerados produtos sensíveis por competirem com a produção local europeia, terão redução tarifária condicionada a cotas de exportação.

No plano estratégico, Sousa vinculou o avanço do acordo ao momento geopolítico: tensões comerciais globais e revisões de políticas tarifárias por grandes economias teriam acelerado o interesse mútuo em concluir o tratado. “Nós despertamos para uma oportunidade. Há uma necessidade de diversificar parceiros comerciais e isso nos aproximou”, disse. A ApexBrasil projetou alta de até US$ 1 bilhão nas exportações brasileiras já no primeiro ano — exatamente o tipo de resultado concreto que a delegação veio ao Brasil ajudar a consolidar.

Sobre a durabilidade política do tratado, Sousa foi enfático após reuniões com parlamentares de diferentes correntes ideológicas: “O acordo vai continuar independentemente da decisão do povo brasileiro. É um acordo que não depende do resultado eleitoral.”

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
Leia mais

Desenrola Fies proíbe apostas para quem renegociar dívida estudantil

Anvisa confirma bactéria em mais de 100 lotes de produtos Ypê

Governo lança MP para subsidiar gasolina e diesel antes das eleições

Brasil bate recorde de consumo de vinho em 2025 enquanto mercado global encolhe