O Brasil pode ampliar suas exportações em até US$ 1 bilhão já no primeiro ano de vigência do Acordo Mercosul-União Europeia. A projeção é da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), divulgada nesta sexta-feira (1º), data em que o tratado passa a valer provisoriamente.
A estimativa se baseia em 543 produtos identificados com maior potencial de ganho imediato — selecionados dentro de um universo de cerca de 5 mil itens do Mercosul que passam a contar com tarifa zero a partir de hoje.
Com a entrada em vigor do acordo, aproximadamente 54% das exportações do bloco passam a ter acesso isento de tarifas ao mercado europeu. Do lado oposto, cerca de 10% dos produtos europeus recebem o mesmo benefício no acesso ao mercado sul-americano — uma abertura assimétrica que reflete o peso e o ritmo distintos das duas economias.
O mercado da União Europeia é cerca de nove vezes maior que o do Mercosul, e sua abertura ocorre em ritmo até cinco vezes mais acelerado, ampliando as perspectivas de inserção internacional das empresas brasileiras.
Setor de aeronaves na mira do novo mercado
Entre os segmentos com maior potencial de ganho está o de aeronaves. Com a zeragem tarifária, o setor passa a ter acesso a um mercado estimado em cerca de US$ 16 bilhões — um dos mais expressivos entre os produtos com benefício imediato.
A UE figura como o segundo maior importador do mundo. Os países do bloco movimentam cerca de US$ 7,4 trilhões em importações, dos quais mais de US$ 3 trilhões têm origem em mercados externos ao próprio bloco — o que posiciona a Europa como destino estratégico para os exportadores brasileiros.
O tratado que entra em vigor hoje foi negociado ao longo de 25 anos e ainda enfrenta resistência dentro da própria União Europeia, com a Polônia acionando o Tribunal de Justiça do bloco para tentar barrá-lo.
Impacto chega primeiro às empresas, não ao consumidor
A redução de preços para o consumidor final não deve ocorrer de imediato. O efeito inicial tende a se concentrar nas empresas exportadoras, e os benefícios ao comprador só devem aparecer de forma gradual, à medida que os fluxos comerciais se ajustem e os produtos passem a chegar mais baratos aos mercados de destino.
No agronegócio, os reflexos já começam a ser delineados: a uva brasileira passa a entrar na Europa com tarifa zero imediatamente, enquanto café solúvel e sucos de laranja têm reduções escalonadas até a isenção plena em 2030.
O cenário geral aponta para uma janela de oportunidade relevante para setores industriais e agrícolas brasileiros — desde que as empresas consigam adaptar capacidade produtiva e logística para aproveitar a abertura antes que concorrentes de outros blocos se consolidem no mercado europeu.
