Política

TSE aciona PF após ameaças a servidores em 30 mil posts nas redes sociais

Postagens expuseram dados pessoais e ameaçaram familiares; Nunes Marques determinou proteção e apoio psicológico
Fachada do TSE em destaque, simbolizando as ameaças a servidores do TSE investigadas pela PF

O TSE acionou a Polícia Federal após identificar ameaças a servidores da Justiça Eleitoral nas redes sociais. Até o início da tarde de quinta-feira (8), o tribunal havia registrado cerca de 30 mil manifestações contra os funcionários que operam a organização das eleições.

O caso também foi levado ao Ministério Público, e as plataformas que operam as redes foram informadas sobre a proliferação das postagens irregulares.

Dados pessoais expostos e ameaça a familiares

Segundo o TSE, as publicações não se limitam a críticas ao trabalho do tribunal. O levantamento interno aponta exposição de dados pessoais de servidores, ameaças dirigidas a familiares, além de desinformação e discurso de ódio.

O alvo é a estrutura administrativa que executa as eleições — e não apenas os ministros. São os servidores de carreira que preparam urnas, conferem dados e operam a apuração, camada que raramente aparece no debate público e agora virou destinatária direta dos ataques.

Diante do volume, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, determinou que os servidores e seus familiares passem a contar com proteção e apoio psicológico.

Plataformas notificadas

A terceira frente da reação é privada: o tribunal comunicou formalmente as empresas de redes sociais sobre a circulação das postagens irregulares, movimento que transfere às plataformas a decisão sobre remover ou manter o conteúdo.

Cinco dias antes, o Ministério Público Eleitoral já havia acionado o próprio TSE para conter boatos sobre fraude nas urnas e um suposto golpe de Estado nas embaixadas — o mesmo ambiente de desinformação que agora desaguou em ameaças a quem trabalha na apuração.

Duas frentes abertas ao mesmo tempo

Ao acionar PF e Ministério Público simultaneamente, o tribunal abre caminho para apuração criminal das postagens e, ao mesmo tempo, para eventual atuação do MP como fiscal do processo eleitoral. São rotas distintas: uma investiga autores, a outra pode pedir medidas ao próprio Judiciário.

O tribunal não divulgou quantos servidores foram alvo individualmente, nem se os responsáveis pelas publicações já foram identificados. Também não informou se houve pedido de remoção específico às plataformas ou apenas comunicação sobre o volume detectado.

As 30 mil manifestações foram contabilizadas até a tarde de quinta-feira, o que significa que o número é um retrato parcial — o monitoramento seguia em curso quando o TSE levou o caso às autoridades.