Economia

Braskem corre contra o prazo para fechar acordo sobre dívida de R$ 56 bilhões

Adesão parada em 39,6% dos créditos mantém no horizonte o risco de um pedido de falência
Complexo industrial da Braskem ilustra a recuperação extrajudicial da Braskem em meio à dívida bilionária

A Braskem chega a esta sexta-feira (9) diante de uma data decisiva: é o limite para que a petroquímica, seus controladores — Petrobras e o fundo FIP Shine I — e os credores já alinhados fechem os princípios comerciais da recuperação extrajudicial que renegocia R$ 56,5 bilhões.

Esse entendimento é a base da nova versão do plano. Sem ele, as tratativas podem ser encerradas, elevando a pressão sobre a empresa e abrindo caminho para um pedido de falência.

Apoio travado em 39,6% dos créditos

Os credores que já assinaram representam R$ 22,38 bilhões, ou 39,6% do passivo incluído no processo. Para aprovar o plano, a companhia precisa superar a metade desse valor até 22 de novembro — o prazo de 90 dias começou a correr em 24 de agosto, quando o pedido foi protocolado.

No grupo favorável estão o Grupo Ad Hoc de Bondholders, Barclays, Santander, Citibank e Pentágono DTVM. Do lado de fora ficam 60,4% dos créditos, cerca de R$ 34,09 bilhões, com nomes como Itaú Unibanco, BNP Paribas, Crédit Agricole, Deutsche Bank, Mizuho e Standard Chartered. Segundo apuração do g1, o maior credor financeiro de mercado segue sem aderir.

Sacrifício dividido e diluição no radar

O acordo desta sexta define as diretrizes que vão orientar a versão atualizada do plano, cuja premissa é distribuir o sacrifício financeiro entre credores, empresa e acionistas controladores. Uma das hipóteses em discussão é converter parte da dívida em ações, o que reduziria a participação dos donos atuais. Dias antes do protocolo, credores já tinham rejeitado uma proposta com carência de cinco anos para o principal.

O passivo informado é de R$ 187 bilhões, mas a conta é outra

O pedido lista R$ 187,07 bilhões em passivo total. Desse valor, R$ 130,6 bilhões — cerca de 70% — são créditos intercompany, dívidas entre empresas do próprio grupo, e ficaram fora da base de cálculo das adesões. A dívida efetivamente em negociação soma R$ 56,48 bilhões, equivalentes a US$ 10,9 bilhões em obrigações quirografárias.

O processo reúne a Braskem S.A. e cinco subsidiárias financeiras e operacionais no exterior, tratadas em conjunto pela Justiça no regime de consolidação substancial. A empresa alegou gestão centralizada no Brasil, controle comum, garantias entre as companhias e atuação coordenada no setor. O ponto é sensível: credores contrários podem questionar o cálculo somado das adesões, já que o índice de 39,6% não se repete empresa por empresa, sobretudo nas subsidiárias de fora.

A pressão no caixa vem de três frentes: os custos do desastre geológico em Maceió, as margens apertadas da petroquímica global e o próprio endividamento. Em junho, as ações caíram quase 12% em um único pregão depois de a Justiça Federal tornar a companhia ré pelo caso alagoano.

Mesmo com acordo fechado, restam etapas: o plano atualizado vai à Justiça, os credores podem contestar, a empresa e as demais companhias respondem e o Ministério Público analisa o caso antes da decisão sobre a homologação.