A Braskem, uma das maiores petroquímicas do Brasil, protocolou na madrugada desta segunda-feira (24) um pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar uma dívida de US$ 10,3 bilhões — cerca de R$ 54 bilhões na cotação atual.
O pedido foi feito no fim do prazo de proteção que a empresa mantinha contra ações de cobrança e execução de credores, período usado para negociar os termos da reorganização financeira.
Agora, a companhia entra em nova etapa de negociação, na qual deve definir prazos e formas de pagamento junto aos detentores da dívida.
Da vitrine da Odebrecht à crise bilionária
A Braskem nasceu em 2002 da integração de ativos da antiga Odebrecht, hoje Novonor, com o Grupo Mariani, e se tornou uma das maiores fabricantes de resinas plásticas do país, produzindo polietileno, polipropileno e PVC usados em embalagens, tubos e peças industriais. A empresa também fornece eteno e propeno, insumos básicos para outras cadeias químicas.
O impasse financeiro que culminou no pedido desta segunda-feira começou a se desenhar em setembro de 2025, quando a companhia contratou assessores para revisar sua estrutura de capital e as ações chegaram à mínima em uma década.
Em abril, a IG4 Capital assumiu o controle da petroquímica após fechar contrato de compra com a Novonor — negócio que já embutia cerca de R$ 20 bilhões em dívidas garantidas por ações da própria empresa. Mesmo sob nova gestão, a Braskem não conseguiu destravar as negociações com credores.
Maceió e a operação no México pesam no caixa
Parte da pressão sobre o caixa da Braskem vem dos custos ligados ao desastre ambiental provocado pela exploração de minas de sal em Alagoas, que causou o afundamento do solo em bairros de Maceió e forçou a remoção de milhares de moradores. Em junho, com as tratativas de reestruturação travadas e a empresa tornada ré pelo caso, as ações chegaram a cair quase 12% em um único pregão, prenúncio do pedido formal desta segunda-feira.
A companhia também enfrenta a reestruturação da subsidiária mexicana Braskem Idesa, que recorreu ao Chapter 11 nos Estados Unidos — mecanismo que permite à empresa seguir operando enquanto renegocia dívidas sob supervisão judicial. O plano prevê um aporte de US$ 476 milhões da Braskem para manter o controle da unidade.
Segundo a Reuters, a petroquímica deve levar anos para superar os desafios herdados da gestão anterior, em meio a um cenário prolongado de preços baixos no setor petroquímico global.